Alunos podem ‘perder’ 50% a 60% na aprendizagem em matemática após três meses de aulas remotas, diz estudo americano


Pesquisadores usaram como referência a perda de aprendizagem durante as férias do meio do ano e simularam cenários com o impacto da suspensão de aulas devido à pandemia. Estudantes da educação básica poderão ter uma perda de aprendizagem entre 50% e 63% em matemática e entre 32% e 37% em leitura, após três meses de aulas remotas, impostas para conter o avanço da pandemia do coronavírus. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica “Educational Researcher”, da American Educational Research Association.
A pesquisa fornece projeções preliminares sobre o impacto do fechamento e usa como referência a perda de aprendizagem durante as férias do meio do ano nos Estados Unidos para simular os cenários.
Os pesquisadores fazem parte da organização norte-americana sem fins-lucrativos NWEA e das universidades de Virgínia e de Maryland, também dos Estados Unidos.
“Será importante identificar os alunos que estão atrasados nos estudos e fornecer a eles apoios extras, como aulas de reforço”, afirma a coautora do estudo Megan Kuhfeld, pesquisadora sênior da NWEA.
Queda de aprendizagem em matemática durante aulas remotas poderá ser maior do que em leitura, aponta pesquisa.
Gayatri Malhotra/Unsplash
“As desigualdades que existiam em nosso sistema educacional antes da Covid estão piorando, ao mesmo tempo que os distritos escolares enfrentam uma enorme escassez de orçamento”, acrescentou.
“Precisamos de investimentos adicionais do governo federal para evitar cortes iminentes no orçamento das escolas”, afirma a pesquisadora.
O estudo ressalta que o impacto da pandemia nos estudos não é o mesmo para todos os alunos e que, em alguns casos, poderá haver ganho em leitura devido à dinâmica das aulas on-line e das atividades feitas em computador.
Fechamento das escolas no Brasil
A pandemia fez com que as redes de ensino do Brasil também suspendessem as aulas presenciais em março, pouco depois do início do ano letivo. Desde então, o retorno dos estudantes e professores às escolas tem sido analisado de acordo com a realidade de cada região.
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Nos Estados Unidos, as aulas também foram suspensas em março, mas lá o ano letivo começa em meados de agosto ou início de setembro de um ano, e se encerra em maio ou junho do ano seguinte.
Assim, quando foi necessário fechar as escolas nos EUA, os estudantes já estavam na metade do ano letivo.
Em entrevista ao G1, Kuhfeld diz “ser difícil” prever se a queda na aprendizagem seria maior para os estudantes brasileiros, que pararam com as aulas presenciais no início do ano letivo.
“Se eu tivesse que adivinhar, diria que a interrupção no aprendizado no início ou no meio do ano letivo poderia ter mais impacto do que o que aconteceu nos Estados Unidos nesta primavera, quando os últimos três meses do ano letivo foram afetados”, estima a pesquisadora.
Novo currículo pós-pandemia
No Brasil, uma das alternativas para tentar minimizar a perda de aprendizagem será unir os anos letivos de 2020 e 2021, reformulando o currículo escolar. A alternativa foi aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), e ainda precisa ser homologada pelo Ministério da Educação (MEC).
A recomendação do conselho é que não haja reprovação ao fim de 2020, mas que os alunos sejam avaliados para monitorar a aprendizagem e, depois, distribuídos de acordo com o nível de desempenho.
Ao fim de 2021, a avaliação irá indicar se o estudante avança um ou dois anos na sua caminhada escolar.
Para alunos do 3º ano do ensino médio, há a possibilidade de um ano letivo “extra” para reforçar a aprendizagem
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