Alta comissária da ONU pede proteção de indígenas e ambientalistas do Brasil


O alerta de Bachelet ocorre uma semana antes da viagem do presidente Jair Bolsonaro a Nova York. Como manda a tradição, o Brasil abre a Assembleia Geral da ONU, na qual o líder brasileiro deve responder às afirmações da alta comissária. Indígenas kayapó patrulham Terra Indígena Menkragnoti para proteger território de garimpeiros e madeireiros, na aldeia Krimej, sudoeste do Pará, no dia 7 de setembro.
Lucas Landau/Reuters
A proteção do meio ambiente, de povos indígenas e ativistas é “o desafio mais importante para o exercício dos direitos humanos”, afirmou nesta segunda-feira (13) a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.
Na abertura da 48ª sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, a ex-presidente chilena fez um apelo direto às autoridades brasileiras.
“No Brasil, estou alarmada por ataques recentes contra membros dos povos Yanomami e Munduruku por mineiros ilegais na Amazônia”, disse a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos. Segundo ela, a expansão de atividades do setor e “tentativas de legalizar a entrada de empresas em territórios indígenas” são motivo de forte preocupação no Conselho dos Direitos Humanos da ONU.
A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, durante sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a situação no Afeganistão, em 24 de agosto de 2021
Denis Balibouse/Reuters
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“Eu apelo às autoridades para reverter políticas que afetam negativamente os povos indígenas”, ressaltou Bachelet, durante discurso transmitido ao vivo no canal das Nações Unidas no YouTube. 
A chilena também criticou o projeto de lei antiterrorismo que está sendo analisado no Brasil. Segundo ela, o texto pode resultar em abusos e perseguições de ambientalistas e defensores dos direitos humanos no país. 
O alerta de Bachelet ocorre uma semana antes da viagem do presidente Jair Bolsonaro a Nova York. Como manda a tradição, o Brasil abre a Assembleia Geral da ONU, na qual o líder brasileiro deve responder às afirmações da alta comissária. 
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Ação climática ambiciosa
Foto mostra fumaça subindo em meio à vegetação perto da Transamazônica em Humaitá (AM), no dia 8 de setembro.
Bruno Kelly/Reuters
A poucas semanas da 26ª Conferência Mundial sobre o Clima (COP26), em Glasgow, Bachelet também pediu uma “ação climática mais ambiciosa” contra o aquecimento global, a poluição e a destruição da biodiversidade.
Segundo ela, a “tripla crise planetária”, em grande parte provocada pela ação do homem, já tem um impacto amplo e direto sobre uma série de direitos humanos, como “os direitos a uma alimentação adequada, à água, educação, moradia, saúde, ao desenvolvimento e inclusive à vida”. A poluição “é a causa de uma a cada seis mortes mortes prematuras”, reiterou.
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A alta comissária enumerou uma lista de crises ambientais pelo mundo, incluindo, entre outras, a fome em Madagascar, a desertificação na região do Sahel, a escassez de recursos hídricos no Oriente Médio, os incêndios na Sibéria e na Califórnia e as inundações na China e Alemanha.
“Abordar a tripla crise ambiental mundial é um imperativo e é “alcançável”, disse.
China e palestinos
Instalação murada em Xinjiang, na China, onde o governo chinês é acusado de deter muçulmanos da etnia uigur pela religião
Aysha Khan/RNS via AP
Bachelet afirmou que várias outras regiões enfrentam violações dos direitos humanos. É o caso de Xinjiang, onde vive a etnia muçulmana uigur. Segundo a chilena, seu escritório está “finalizando a avaliação das informações disponíveis no local para divulgar publicamente”.
A China rejeita uma investigação em Xinjiang. O governo americano, com base em estudos de investigadores ocidentais, acusa Pequim de ter detido mais de um milhão de membros desta minoria em campos de trabalho forçados. O governo chinês recusa o número e se refere a esses locais como “centros de formação profissional”.
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Bachelet também chamou a atenção do Conselho sobre a “continuidade e multiplicação dos casos de uso excessivo ou totalmente injustificável da força contra civis palestinos por parte das forças de segurança israelenses”.
Palestinos protestam no norte da Faixa de Gaza contra a “Marcha das Bandeiras”, passeata de grupos israelenses de extrema-direita dentro e ao redor da Cidade Velha, em Jerusalém Oriental, que comemoram a “conquista” da Cidade Sagrada durante a Guerra dos Seis Dias
Mohammed Salem/Reuters
Desde janeiro, 54 palestinos, incluindo 12 menores de idade, morreram em ações das forças israelenses na Cisjordânia ocupada, um número que representa mais que o dobro de todo o ano de 2020. Além disso, mais de 1.000 pessoas foram feridas por tiros.
A alta comissária expressou preocupação com as “medidas de repressão da dissidência adotadas nos últimos meses” pelas autoridades palestinas. Ela disse que teme um agravamento da situação.
A ex-presidente chilena denunciou em particular “o uso injustificado” da força por parte da polícia palestina durante as manifestações que ocorreram após a morte de Nizar Banat, um militante crítico da Autoridade Palestina que faleceu em junho pouco depois de ser preso.
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