‘Alan Wake Remastered’ renova um dos melhores jogos já lançados, mas fica devendo em conteúdo inédito; g1 jogou


Versão ganha visual com gráficos em 4K, mas não mexe em mecânicas e elementos que tornam o game datado. Em 5 de maio de 2010, escrevi para o g1 a análise de “Alan Wake”. “A escuridão é o inimigo e a luz é a salvação” foi como descrevi o jogo que, na época, era exclusivo do Xbox 360, da Microsoft. Com a versão remasterizada chegando 11 anos depois, nada do que eu escrevi na época mudou já que o game continua exatamente o mesmo em “Alan Wake Remastered”.
O game foi lançado nesta terça-feira (5) para Xbox Series X/S, Xbox One, PlayStation 5, PlayStation 4 e PC.
A novidade é que o visual está melhor, retrabalhado, e que os donos de um PS4 ou PS5 vão poder finalmente jogar uma das maiores experiências narrativas já lançadas para os videogames. Contudo, o que está nesta nova edição é apenas uma evolução técnica, já que não houve nenhum incremento ou modificação, fazendo com que o game continue mostrando sua “idade avançada”.
Assista ao trailer de ‘Alan Wake Remastered’
Alan Wake é um escritor de livros de suspense e mistério no melhor estilo Stephen King que vai para a cidade de Bright Falls para tentar conseguir inspiração para sua nova história.
Lá, ele é assombrado por pesadelos de uma escuridão bizarra, que transforma pessoas em uma espécie de monstros, confundindo o personagem entre o que é real e o que é um sonho.
Quando sua esposa é sequestrada, ele parte em busca dela nas florestas sombrias do local, enfrentando todo o tipo de inimigos sombrios e fazendo o jogador tomar muitos sustos pelo caminho.
Nesta versão remasterizada, os gráficos foram aprimorados e, no Xbox Series X (onde a nova edição foi testada) e no PS5, o jogo roda em resolução 4K e com fluidez de 60 quadros por segundo.
Comparado com o título original, que pode ser jogado via retrocompatibilidade nos Xbox, o salto é gigantesco.
Realmente, por meio dessa comparação, é perceptível que o game ganha nova vida. A maior parte da ação acontece no escuro, no meio de uma floresta medonhamente assustadora em que a luz, que é a salvação, sai apenas da sua lanterna ou de pontos específicos da fase. A vegetação está mais viva e é perceptível o cuidado com árvores e com as plantas.
Os inimigos, que muitas vezes na versão original eram meio borrados, estão mais nítidos e os cenários têm uma iluminação mais realista. O próprio Alan Wake tem traços com maior definição e podemos até perceber nuances do tecido de seu casaco estiloso.
Mas por mais que tenha todo esse frescor, o game continua o mesmo lançado em 2010, sem tirar nem botar. E isso fica evidente logo nos primeiros instantes da trama.
Por que remasterizar?
Comparado a games atuais do estúdio Remedy, o mesmo de “Alan Wake”, como “Control”, o jogo remasterizado parece bem antiquado. O acabamento de personagens e de cenários entregam a “velhice” do título. Os rostos, suas expressões faciais e movimentação são meio “duras”, algo que na época não era tão perceptível.
Os combates, que continuam da mesma maneira, revelam a idade avançada. A mecânica de apontar a lanterna ao inimigo para eliminar a escuridão do seu corpo e depois atirar contra ele segue sendo interessante e desafiadora. Mas quando Alan precisa saltar ou se esquivar, percebe-se que ali é um game de mais de 10 anos de idade. Esses momentos parecem meio desengonçados.
Por ter tido um retrabalho para lançar “Alan Wake Remastered”, seria interessante que os desenvolvedores resolvessem alguns problemas do passado, o que não foi feito. Há uns erros de movimentação que são evidentes quando o personagem pula por obstáculos, algo que você vai fazer bastante para encontrar munição (que é escassa), pilhas para a lanterna (elas acabam rápido nos combates), manuscritos (que contam mais da história misteriosa e incrível) e garrafas de café — itens muito bem escondidos que devem ser encontrados para conseguir “platinar” o game, ou seja, concluir todos os objetivos.
Alan Wake usa uma lanterna para enfrentar a escuridão em seus inimigos
Divulgação/Remedy
Há uma certa simplicidade remanescente da época do “Alan Wake” original que não chega a incomodar, mas que mostra que faltou um pouco mais de cuidado e trabalho para um game que é tão importante para a indústria dos jogos eletrônicos.
Faltou também, mais conteúdo. Embora os dois materiais extras lançados estejam no pacote, “The Signal” e “The Writer”, poderiam ter acrescentado novidades do desenvolvimento como artes, trilha sonora, vídeos de bastidores e até a possibilidade de mudar a configuração dos botões de ação, o que não aconteceu.
Tamanho trabalho para “Alan Wake Remastered” poderia ter dado mais material aos fãs e a quem não jogou a edição original. A pergunta que fica é: precisava remasterizar?
Mas há algo que me deixou curioso: durante a aventura há códigos QR espalhados. Escaneie com seu celular para ter acesso a vídeos bem misteriosos da história.
A esperança que fica é que, depois de tanto tempo para se ter alguma novidade de “Alan Wake”, essa remasterização mostre que ainda é possível ganharmos o tão sonhado “Alan Wake 2”.
Alan Wake volta para que os donos do PS4 ou PS5 joguem um dos melhores games dos anos 2000
Divulgação/Remedy