Agroconsult prevê safra de soja 3,3% menor em 2018/19, a 118 milhões de toneladas


Consultoria também estima produção recorde de 70,6 milhões de toneladas de milho na segunda safra 2018/19. Agroconsult prevê exportações de 67 milhões de toneladas de soja pelo Brasil neste ano
Rede Amazônica Roriama/ Reprodução
A safra de soja 2018/19 do Brasil, em fase final de colheita, deve alcançar 118 milhões de toneladas, projetou nesta quinta-feira (28) a Agroconsult. O número representa um aumento ante os 116,4 milhões previstos em fevereiro, diante de bons rendimentos em certas áreas colhidas tardiamente, sobretudo Rio Grande do Sul e Matopiba.
O volume, na mais otimista das estimativas publicadas por especialistas e instituições, fica 3,3% aquém do recorde de 122 milhões de toneladas considerados pela consultoria para 2017/18.
Oficialmente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) diz que o país colheu 119,3 milhões de toneladas de soja no ano passado, mas a Agroconsult fez um ajuste em sua metodologia, para refletir as exportações históricas de 2018 – o volume recorde, de 83,4 milhões de toneladas, apontava inconsistência no balanço de oferta e demanda.
Foram corrigidos dados de produção e produtividade desde a safra 2014/15. A associação da indústria de soja, a Abiove, também revisou seus números.
De qualquer forma, a nova estimativa da Agroconsult representa um forte tombo em relação ao que se esperava para o ciclo vigente na época da semeadura, que alcançou históricos 36 milhões de hectares, segundo a consultoria.
Seca frustrou expectativas
Chuvas regulares durante o plantio levaram o mercado a apostar em uma safra de soja superior a 120 milhões de toneladas. A própria Agroconsult chegou a ver potencial para 129 milhões, quantidade que colocaria o Brasil como rival dos Estados Unidos pelo posto de maior produtor do mundo.
Contudo, uma estiagem marcada por altas temperaturas entre dezembro e janeiro, derrubou a produtividade das lavouras, e o mercado começou a rever suas previsões, consolidando suas apostas em torno de 114 milhões de toneladas, conforme pesquisa da Reuters divulgada na véspera.
“Foi uma safra com início muito bom, melhor início que a gente já viu… (Mas) o clima foi irregular em todas as regiões. O clima seco em dezembro encurtou o ciclo e diminuiu o peso dos grãos”, disse Pessôa, durante coletiva em São Paulo para apresentar os resultados do Rally da Safra.
Ainda segundo ele, “com o que vimos no Matopiba (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), com o que vimos no Rio Grande do Sul, justifica-se esse número (de safra)”.
As duas áreas mencionadas foram bem menos impactadas pelo clima adverso da virada de ano, se comparado a Mato Grosso do Sul e Paraná, por exemplo, onde as perdas chegaram a 40%.
A safra gaúcha “deve ser a melhor” que o Estado já viu, segundo Pessôa, com produtividade de 57,6 sacas por hectare, de 54,4 sacas no ciclo anterior.
Exportação
A Agroconsult prevê ainda exportações de 67 milhões de toneladas de soja pelo Brasil neste ano, ante 70,2 milhões na projeção anterior e abaixo do recorde de 84 milhões de toneladas no ano passado, quando os embarques nacionais foram favorecidos pela disputa comercial entre EUA e China.
“Essa revisão é em função das exportações norte-americanas e da safra argentina”, disse Pessôa, referindo-se aos amplos estoques dos EUA disponíveis para vendas e à forte recuperação na produção da Argentina, terceiro maior produtor global de soja.
A divulgação dos dados ocorre conforme a consultoria acaba de finalizar a primeira etapa do Rally da Safra, expedição técnica que percorreu as principais regiões produtoras da oleaginosa no Brasil entre janeiro e março.
A Reuters acompanhou os trabalhos do Rally da Safra na virada de janeiro para fevereiro, visitando lavouras no norte de Mato Grosso do Sul, sudoeste de Goiás e sudeste de Mato Grosso.
Milho
A Agroconsult também estimou que o Brasil produzirá um recorde de 70,6 milhões de toneladas de milho na segunda safra 2018/19, em fase final de plantio, ante 68,9 milhões de toneladas vistos na projeção de fevereiro.
Caso se confirme, o volume representaria um salto de 31% em relação aos 53,9 milhões de toneladas de 2017/18, um ciclo marcado por condições climáticas adversas.
A chamada safrinha responde pelo grosso da produção brasileira de milho e, beneficiada por chuvas, encaminha-se para ser um “espetáculo”, conforme pesquisa da Reuters divulgada na quarta-feira.
“É o plantio de milho safrinha mais precoce que a gente já teve. E está chovendo bem”, afirmou o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, destacando que o plantio da segunda safra deve alcançar 12,3 milhões de hectares, versus 11,5 milhões em 2017/18.
Considerando-se a primeira safra, de verão, o Brasil deve colher neste ano 97,5 milhões de toneladas de milho, versus cerca de 80 milhões em 2017/18 e praticamente em linha com o recorde de 2016/17.
Em relações às exportações, a Agroconsult disse esperar que o país embarque 31 milhões de toneladas, ante 32 milhões considerados anteriormente.