Advogado usa texto poético para negar defesa de suspeito homicídio

Ofício foi escrito às pressas no Fórum de Manga

Ofício foi escrito às pressas no Fórum de Manga
Acevo pessoal

Um requerimento assinado por um advogado da cidade de Manga, a 700 quilômetros de Belo Horizonte, chamou atenção pela liguagem poética e pelo autoafirmação de bravura. Com a frase “É melhor um fim com medo do que um medo sem fim”, o defensor solicitou ao juiz dispensa para não defender um acusado de crimes que faz parte de uma família conhecida como ” os sem medo”.

No decorrer do texto, em meio a um jogo de palavras que se aproxima de um texto literário, o advogado de 77 anos que se autodenomina um “pobre mortal” justifica: “Embora eu seja imunizado do sentimento de medo, agora eu tenho medo de não dar certo defender os ‘sem medo'”.

Ele tem um escritório particular na cidade e foi nomeado pelo juíz para defender um homem acusado de homicídio. A prática comum no meio judicial permite que o advogado indicado não aceite o processo e foi exatamente isso que preferiu fazer.

O advogado contou ao R7 que o suspeito já é um velho conhecido na região e que tanto ele quanto outros parentes estão envolvidos em diversos crimes. Ele afirma que não tem “medo de nada”, mas prefere evitar o desgaste com o caso.

— Eu não tenho medo de nada, mas tenho certa reserva. Lamentavelmente, a família corre atrás da gente nos culpando de não fazer um bom trabalho se for condenado. Além disso, eu ia custar receber do Estado.

O mineiro exerce a advocacia há 45 anos. O defensor, que vem de família simples de pais analfabetos, explica que escreveu o ofício de linguagem descontraída rapidamente no Fórum da cidade, mas rejeitou o título de poeta.

— Não é poesia. Sempre que eu posso, eu gosto de escrever assim.

Nas últimas linhas do ofício enviado ao juíz, o advogado concluiu: “É melhor um fim com medo do que um medo sem fim”. O pedido de resginação foi aceito pela Justiça e o caso enviado a outro defensor. O fato de ter optado por não ir ao tribunal com o processo não abalou a autoestima do defensor, garante ele.

— Eles falam de mim, mas eu não tenho medo deles. Eles são os “sem medo”, eu sou o “coragem”.

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