Advogado de R. Kelly defende ‘vida de playboy’ do artista para justificar abusos


Nos argumentos finais do processo, defesa ainda citou trecho do discurso de Martin Luther King Jr. R. Kelly chega em audiência para responder sobre acusações de abuso sexual em Chicago, em maio de 2019
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A equipe de defesa de R. Kelly classificou nesta quinta-feira (23) o cantor como um “símbolo sexual” que levava uma “vida de playboy”, nos argumentos finais contra as acusações que o envolvem no comando por décadas de uma rede de crimes sexuais.
O advogado Deveraux Cannick chamou as supostas vítimas do artista (cujas acusações incluem estupro, drogas e pornografia infantil, bem como abusos físico e emocional) de fanáticas com sede de dinheiro, e disse que o governo está obstinado em criminalizar um comportamento que, segundo ele, é comum entre os grandes astros internacionais.
“Sua gravadora começou a vendê-lo como um símbolo sexual, como um playboy, motivo pelo qual ele começou a viver como um símbolo sexual, como um playboy”, explicou o advogado ao júri. “Onde está o crime nisso?”
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O relato do advogado de defesa foi feito após seis horas de argumentos finais meticulosos da promotoria, que retrataram o artista como um chefe criminoso que teria cometido abusos arrepiantes contra mulheres e adolescentes durante décadas, com o apoio de seus funcionários e de sua equipe.
Cannick usou um tom irônico quando se referiu ao depoimento das supostas vítimas (nove mulheres e dois homens que acusam Kelly de abuso sexual), criticou a sua credibilidade e as reduziu a pessoas que estão apenas “trabalhando para ter dias de pagamento”.
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Em uma abertura peculiar, Cannick iniciou seus comentários febris evocando Martin Luther King Jr., ao afirmar que Kelly estava apenas tentando “protestar contra a injustiça”, como havia feito o icônico líder dos direitos civis.
O advogado continuou seus argumentos dizendo ao júri que “sexo pervertido não é crime”, e que “algumas pessoas simplesmente gostam” de relações entre um homem mais velho e uma “mulher mais jovem”.
“Vocês ouviram sobre um homem que tratava essas mulheres como ouro. Comprava para elas bolsas mais caras do que carros”, destacou.
O artista, nascido Robert Sylvester Kelly, enfrenta uma acusação de crime organizado e oito violações da Lei Mann, que proíbe o transporte de pessoas através dos limites estaduais para fazer sexo.
O cantor da famosa “I Believe I Can Fly” nega todas as acusações. A refutação da promotoria continuará nesta sexta (24), e o júri deve começar a deliberar em breve sobre o destino de Kelly.
Relembre, no vídeo abaixo, as primeiras denúncias em 2019:
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