Adiamento evita ‘resultado terrível’ de Brexit sem acordo, diz Lagarde, do FMI


Na quarta-feira, União Europeia concordou em adiar prazo do Brexit até 31 de outubro. Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, fala em evento nesta quinta-feira (11)
James Lawler Duggan/Reuters
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou nesta quinta-feira (11) que o atraso na separação do Reino Unido da União Europeia evita o “terrível resultado” de um Brexit sem acordo que pressionaria ainda mais a economia global.
Lagarde disse em entrevista à imprensa, entretanto, que o acordo vai prolongar a incerteza e não resolverá as questões entre Reino Unido e UE.
“Pelo menos o Reino Unido não está saindo em 12 de abril sem um acordo. Dá tempo para discussões entre as várias partes envolvidas no Reino Unido. Provavelmente dá tempo para agentes econômicos se prepararem melhor para todas as opções, particularmente empresários industriais e trabalhadores, para tentar garantir seu futuro”, disse Lagarde, de acordo com a Reuters.
“Um Brexit sem acordo teria um resultado terrível.”
Prazo até outubro
Na quarta-feira, a União Europeia concordou em conceder, pela segunda vez, uma prorrogação à saída do Reino Unido do bloco. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, confirmou que o bloco definiu o novo prazo para o Brexit para 31 de outubro deste ano.
“Isso significa que o Reino Unido terá mais seis meses para encontrar a melhor solução possível”, escreveu Tusk, no Twitter.
Tusk se encontrou com a primeira-ministra britânica, Theresa May, que concordou com a prorrogação. Em coletiva de imprensa, o chefe do Conselho afirmou que, até 31 de outubro, o Reino Unido:
Poderá negociar e mudar o texto da declaração política, mas não o do acordo de retirada;
Continua como membro pleno da União Europeia;
Deverá participar das eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para maio;
Terá o direito de desistir do processo de saída e, então, cancelar o Brexit.
Por outro lado, o Brexit pode ser antecipado em dois cenários:
Caso o Reino Unido não participe das eleições para o Parlamento Europeu, o país deixa o bloco em 1º de junho;
Se o Parlamento britânico aprovar o acordo costurado entre May e a União Europeia antes de 31 de outubro, o Reino Unido deixa o bloco no primeiro dia do mês seguinte à aprovação da proposta.
A data prevista anteriormente para que o Reino Unido deixasse a União Europeia era 29 de março. Porém, um primeiro adiamento remarcou a data para 22 de maio – caso o Parlamento britânico aprovasse o acordo apresentado por May. Se os parlamentares não votassem a proposta ou a recusasse – como aconteceu três vezes –, o Brexit ocorreria em 12 de abril.