Acusadora de Weinstein tem ataque de pânico e juiz interrompe depoimento


Jessica Mann respondia a perguntas da defesa por cerca de cinco horas quando atividades do dia foram encerradas. Harvey Weistein chega para seu julgamento em Nova York
Stephen Yang/Reuters
O julgamento de Harvey Weinstein em Nova York foi interrompido mais cedo nesta segunda-feira (3) depois que Jessica Mann, uma das duas autoras das denúncias das quais o produtor se defende neste caso, teve um ataque de pânico enquanto testemunhava.
Uma advogada de Weinstein interrogou agressivamente durante cerca de cinco horas a ex-aspirante a atriz que disse ter sido estuprada por seu cliente, perguntando se ela teve um relacionamento com ele para progredir na carreira.
Mann, de 34 anos, depôs na sexta-feira (31), dizendo que Weinstein a estuprou em um quarto de hotel de Manhattan em março de 2013. Ela ainda afirmou que manteve algum tipo de relacionamento com ele durante anos após esse episódio.
O ex-produtor de 67 anos negou ter estuprado Mann e agredido sexualmente outra mulher, Mimi Haleyi. Desde 2017, mais de 80 mulheres acusaram Weinstein de má conduta sexual.
Uma das advogadas de Weinstein, Donna Rotunno, pressionou Mann a respeito de sua relação com o acusado.
“Você nos contou que estava disposta a dormir com Harvey Weinstein porque não queria que ele arruinasse sua carreira de atriz, está correto?”, questionou.
“Eu não queria que ele prejudicasse minha carreira de atriz”, respondeu Mann.
Mas, replicou Rotunno, “você não tinha uma carreira para prejudicar”.
“Eu estava construindo uma”, disse Mann.
Weinstein, que produziu filmes como “O Paciente Inglês” e “Shakespeare Apaixonado”, nega ter feito sexo sem consentimento.
O julgamento é amplamente visto como um marco do movimento #MeToo, por meio do qual mulheres acusaram homens poderosos do empresariado, da indústria do entretenimento, da mídia e da política de má conduta sexual.