Acordo de Paris: Brasil prevê ‘emissão zero’ até 2060 e quer US$ 10 bilhões anuais de países ricos para antecipar data

Acordo completa cinco anos neste mês e, por isso, países devem renovar compromissos. Meta do Brasil é igual à da China e menos ambiciosa que a da Europa; detalhes saem nesta quarta. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou nesta terça-feira (8) que o Brasil estabelecerá como meta, no âmbito do Acordo de Paris, atingir a neutralidade nas emissões de gases causadores do efeito estufa até 2060.
A meta é a mesma já apresentada pela China, por exemplo. A União Europeia se comprometeu em 2019 com uma data mais próxima: zerar o saldo de emissões de gás carbônico “já” em 2050.
Os detalhes da nova meta, que deve ser anunciada por todos os países para marcar os cinco anos da celebração do Acordo de Paris, só devem ser divulgados pelo governo nesta quarta (9).
“A nossa contribuição nacional determinada (NDC) a ser apresentada, agora que aprovada pelo governo brasileiro, reafirmando os nossos compromissos, colocando o compromisso brasileiro com a neutralidade de emissões até 2060. E destacando também a possibilidade de este prazo ser reduzido consoante sejam implementados os mecanismos de mercado previstos no Acordo de Paris”, declarou Salles.
Ainda de acordo com Salles, esse prazo de neutralidade nos próximos 40 anos pode ser antecipado. Para isso, no entanto, o Brasil cobrará que os países desenvolvidos transfiram US$ 10 bilhões anuais para projetos brasileiros a partir de 2021.
Caso isso aconteça, a meta reduzida ainda será definida – Salles não informou o quanto o prazo poderá ser reduzido.
“Em anexo à nossa NDC […] nós explicitamos a forma que entendemos necessária, do ponto de vista de créditos e mercado para o recebimento dos recursos. Que pode se dar através dos mecanismos do artigo 6º do Acordo de Paris e do programa de pagamento de serviços ambientais, o Floresta+, à razão de 10 bilhões de dólares a partir do ano que vem”, disse o ministro do Meio Ambiente.
“Em havendo recebimento de recursos financeiros para estas destinações, nós consideraremos a hipótese de tornar nosso compromisso de neutralidade em prazo anterior”, prosseguiu.
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Pedindo dinheiro de fora
Esta não é a primeira vez que o ministro Ricardo Salles fala em pedir US$ 10 bilhões anuais aos países ricos para investir em ações de conservação no Brasil.
Ainda em 2019, nas reuniões preparativas para a Conferência Internacional do Clima (COP 25) em Madri, Salles citou a cifra – que corresponderia a 10% do total previsto no Acordo de Paris de repasses de países desenvolvidos para países subdesenvolvidos.
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