A preocupante expansão da ‘Zona Morta’ do Golfo do México, onde a vida marinha é impossível


Cientistas americanos descobriram que, nos últimos 5 anos, região sem oxigênio marinho do Golfo do México aumentou. Cientistas americanos descobriram que, nos últimos 5 anos, zona sem oxigênio marinho do Golfo do México aumentou
NOAA NESDIS via BBC
O crescimento da “Zona Morta” do Golfo do México nos últimos cinco anos não foi contido.
Trata-se de uma região marinha, próxima ao litoral dos Estados do Texas, Louisiana e Mississippi, no sul dos Estados Unidos, onde peixes e outros organismos não conseguem sobreviver por falta de oxigênio.
A cada ano a “Zona Morta” muda de tamanho, em grande parte devido à quantidade de poluentes que chegam ao Golfo do México por meio de rios como o Mississippi. Esse rio atravessa os Estados Unidos de norte a sul, passando por muitas cidades, vilarejos e áreas agrícolas.
Este ano, a “Zona Morta” tem uma extensão de 16.404,98 quilômetros quadrados, de acordo com estimativas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em Inglês).
É mais ou menos do tamanho da cidade de Pequim, na China.
Em 2021, extensão da ‘zona morta’ permaneceu acima da meta dos cientistas
NOAA via BBC
“As condições de baixo oxigênio estavam muito próximas da costa e muitas medições mostraram uma falta quase total de oxigênio”, explicou Nancy Rabalais, cientista que liderou o estudo neste ano e ligada à Universidade do Estado da Louisiana.
Cientistas e autoridades dos EUA colocaram como objetivo conter a “zona morta” a um nível abaixo de 5 mil quilômetros quadrados. Mas, nos últimos cinco anos, o grau de crescimento foi em média 2,8 vezes essa meta, uma tendência preocupante.
“Devemos levar em consideração as mudanças climáticas e fortalecer nossa colaboração e parcerias para atingir o progresso necessário”, disse Radhika Fox, da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês).
Como é a ‘Zona Morta’?
A zona de hipóxia (baixo teor de oxigênio) do Golfo do México é medida desde 1985 pelas autoridades ambientais dos Estados Unidos. Não é a única do mundo, mas é a segunda maior.
Nessas regiões, os níveis de oxigênio são tão baixos que a vida marinha morre.
Essas zonas podem ser geradas naturalmente, mas os cientistas estão especialmente preocupados com aquelas que foram formadas pela atividade humana, especialmente devido à contaminação por nutrientes.
Este último é o caso da “Zona Morta” do Golfo do México, que é gerada principalmente por fertilizantes usados ​​pelos agricultores.
A chuva transporta produtos químicos usados ​​na agricultura para riachos e rios que desembocam no Golfo do México. Essas águas também são poluídas por descargas residuais de áreas urbanas.
São vários rios que deságuam no Golfo do México e causam a ‘zona morta’ por transportar poluentes
NOAA via BBC
Em particular, os nitratos e o fósforo usados ​​nos produtos químicos agrícolas têm um efeito chave, estimulando o crescimento explosivo de algas, que, quando morrem, vão para o fundo do mar e se decompõem.
As bactérias que decompõem as algas consomem oxigênio em um processo que reduz drasticamente o nível disponível para a vida marinha. Isso transforma habitats que normalmente estariam repletos de vida em desertos biológicos, segundo a NOAA.
Por outro lado, a água doce do rio e a água salgada do Golfo não se misturam e é criada uma barreira que impede a mistura de águas superficiais e profundas.
No outono, quando os ventos agitam a água, as diferentes camadas se misturam novamente e isso faz com que o oxigênio se reponha no fundo, permitindo o retorno da vida marinha.
É por isso que a extensão da “Zona Morta” varia a cada ano.
Efeito das mudanças climáticas
A equipe da Hypoxia Task Force, força-tarefa coliderada pela EPA, observou que nos últimos cinco anos a “Zona Morta” se expandiu além da meta estabelecida.
A época em que essa região mais se espalhou desde 1985 foi durante o ano de 2017, quando media 22.729 quilômetros quadrados (quase o tamanho de El Salvador).
Este ano, ela está menor (16.404,98 km²), mas não menos preocupante, já que a meta das autoridades é que ela atinja 4.920 quilômetros quadrados ou menos por cinco anos.
Áreas hipóxicas (vermelhas) tendem a aparecer perto de regiões com grandes extensões agrícolas (verdes) do mundo
NOAA via BBC
“A distribuição de baixo oxigênio dissolvido foi incomum neste verão”, explicou Nancy Rabalais.
Os cientistas observaram que a salinidade estava baixa e a descarga do rio Mississippi estava “acima do normal”.
“Neste ano, vimos repetidamente o efeito profundo que as mudanças climáticas têm em nossas comunidades, desde a seca histórica no oeste [dos EUA] até as inundações. O clima está diretamente relacionado à água, incluindo o fluxo de contaminação de nutrientes no Golfo do México”, disse Radhika Fox.
A Hypoxia Task Force afirma que uma forma de reduzir a poluição tem sido estabelecer acordos com as autoridades locais e os agricultores para uma melhor gestão dos produtos químicos que acabam nos afluentes.
Mas, se esse problema não for contido, o risco é que o “deserto” sem vida do Golfo do México continue a se expandir ano após ano.
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