74ª edição do Festival Cannes começa nesta terça-feira (6) e traz 24 filmes na disputa por Palma de Ouro


Prêmio será disputado por cineastas renomados e por diretores que já receberam o prêmio máximo em Cannes. Veja lista. Spike Lee, presidente do júri do Festival de Cannes
REUTERS/Eric Gaillard
Com o musical “Annette”, Adam Driver e Marion Cotillard abrirão nesta terça-feira (6) o Festival de Cannes, que programou o maior número de filmes em sua mostra oficial em comparação com as últimas edições, apesar das rígidas condições sanitárias.
A Palma de Ouro será disputada por cineastas renomados, como o americano Wes Anderson, o holandês Paul Verhoeven, o iraniano Asghar Farhadie, e por diretores que já receberam o prêmio máximo em Cannes, como o italiano Nanni Moretti e o tailandês Apichatpong Weerasethakul.
O festival, que não foi realizado no ano passado devido à pandemia, deseja recuperar o tempo perdido: 24 filmes, rodados antes e durante a pandemia, estão na mostra oficial – o maior número dos últimos anos.
O evento começará com o primeiro filme em inglês do francês Leos Carax, um musical com o americano Adam Driver e a francesa Marion Cotillard.
“Alívio e excitação”
“A covid continua aí, mas estar presente no retorno do festival é um grande sentimento de alívio e excitação”, disse Driver à AFP.
“Annette” é “perfeita” para abrir o festival, pois “convida os espectadores a vibrar com um grande espetáculo”, disse Cotillard, que, ao lado de Driver, interpreta um casal de famosos cercado de glamour, até que tudo muda.
O filme de Carax tem sua origem em 2013, justamente em Cannes, onde o diretor francês encontrou o grupo californiano Sparks, formado pelos irmãos septuagenários Ron e Russell Mael Sparks. Carax expressou sua admiração, e o duo decidiu enviar ao cineasta seu álbum que estava em preparação.
Do encontro nasceu “Annette”, com roteiro e trilha sonora da banda que marcou a cena alternativa desde os anos 1970.
“Annette” é um dos filmes na disputa para suceder ao sul-coreano “Parasita” (vencedor de Cannes em 2019). A Palma de Ouro será anunciada em 17 de julho pelo júri presidido pelo cineasta americano Spike Lee, o primeiro afro-americano no posto.
Brasil em Cannes
O Brasil marca presença em Cannes com dois curtas-metragens na disputa pela Palma de Ouro do segmento e com o diretor Kleber Mendonça Filho como um dos integrantes do júri.
“Assistimos a muitos filmes brasileiros de qualidade, e a presença do cineasta é uma maneira de prestar homenagem ao cinema do Brasil e ao país duramente afetado pela pandemia”, afirmou na segunda-feira (5) o delegado-geral do Festival, Thierry Frémaux.
Paralelamente, o Festival concederá nesta terça-feira a Palma de Ouro honorária à atriz e diretora Jodie Foster, que compareceu a Cannes pela primeira vez ainda adolescente, há 45 anos, para apresentar “Taxi Driver”, de Martin Scorsese. Nele, contracenou com Robert De Niro.
As celebridades poderão tirar a máscara e posar para as câmeras no tapete vermelho, mas a organização do festival estabeleceu estritas condições de acesso. Europeus vacinados, ou com imunidade natural, devem apresentar o documento de saúde reconhecido pela UE, enquanto os demais participantes devem ser submetidos a um teste de PCR a cada 48 horas. As salas não terão, no entanto, limite de capacidade.
74ª edição do Festival de Cannes começa nesta terça-feira (6)
REUTERS/Johanna Geron
Veja quais são os 24 filmes que vão disputar a Palma de Ouro na 74º edição do Festival de Cannes:
“Annette”, do francês Leos Carax. Protagonizado por Adam Driver e Marion Cotillard, que personificam um casal de estrelas cuja vida muda com a chegada de sua primeira filha.
“Benedetta”, do holandês Paul Verhoeven. Retrato de uma freira homossexual ambientado no século XV e baseado em fatos reais.
“The French Dispatch”, do americano Wes Anderson. Filmado no sudoeste da França e protagonizado por Bill Murray, Tilda Swinton, Benicio del Toro e Adrien Brody.
“Tout s’est bien passé”, do francês François Ozon. Adaptado do romance homônimo de Emmanuèle Bernheim, sobre uma filha que ajuda o pai a morrer. Com Sophie Marceau, Charlotte Rampling e André Dussollier no elenco.
“Tre piani”, do italiano Nanni Moretti. Duas décadas depois de ganhar a Palma de Ouro, o diretor volta a Cannes com um filme sobre várias famílias que moram no mesmo prédio.
“A Hero”, do iraniano Asghar Farhadi. Um thriller psicológico com o qual o oscarizado cineasta voltou a filmar em seu país natal.
“Flag day”, do americano Sean Penn. Sobre a vida dupla de um pai de família.
“Red Rocket”, do americano Sean Baker. Um filme de cinema independente que narra o retorno de uma estrela pornô à sua pequena cidade no Texas.
“Petrov’s Flu”, do russo Kirill Serebrennikov. Um filme entre o sonho e a realidade que retrata a vida de um quadrinista na Rússia pós-soviética.
“Memoria”, do tailandês Apichatpong Weerasethakul. Tilda Swinton interpreta uma orquidófila que viaja à Colômbia para visitar sua irmã e começa a ouvir sons estranhos.
“Titane”, da francesa Julia Ducournau. Protagonizado por Vincent Lindon, conta o retorno de um menino desaparecido há 10 anos e o reencontro com seu pai.
“Haut et fort”, do marroquino Nabil Ayouch. Um filme ambientado no mundo do hip hop que descreve a criatividade da juventude de Marrocos.
“Bergman Island”, da francesa Mia Hansen-Love. Um casal de cineastas americanos se estabelece na ilha que inspirou o cineasta sueco. Tim Roth é o protagonista.
“Drive my car”, do japonês Ryusuke Hamaguchi. Um filme basado em uma obra de Haruki Murakami.
“The story of my wife”, da húngara Ildikó Enyedi. Um drama com os franceses Léa Seydoux e Louis Garrel.
“Ahed’s knee”, do israelense Nadav Lapid. Um cineasta enfrenta a morte de sua mãe.
“Compartment N. 6”, do finlandês Juho Kuosmanen. Um “road-movie” sobre uma mulher que pega um trem romo ao círculo polar ártico.
“The worst person in the world”, do norueguês Joachim Trier. Relata a história de uma mulher em Oslo que busca refazer sua vida.
“La fracture”, da francesa Catherine Corsini. Um filme ambientado em um hospital, com Valeria Bruni Tedeschi e Marina Foïs.
“Les intranquilles”, do belga Joachim Lafosse. Drama que explora os meandros do trastorno bipolar.
“Les Olympiades”, do francês Jacques Audiard. Filmado em um bairro multiétnico de Paris, conta com a premiada Céline Sciamma no roteiro.
“Lingui”, do chadiano Mahamat-Saleh Haroun. Drama sobre uma adolescente grávida no Chade, onde o aborto é proibido.
“Nitram”, do australiano Justin Kurzel. Um filme que através da lembrança de um massacre com dezenas de mortos em 1996 aborda a venda de armas.
“France”, do francês Bruno Dumont. Léa Seydoux encarna uma famosa jornalista cuja vida muda totalmente após um acidente.
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