56% dos alunos que não estudaram na pandemia apontam como motivo a busca por emprego, diz pesquisa


Dados também apontam que 32% deixaram de estudar porque a escola não ofereceu aulas ou atividades do curso. Classes D e F são as mais prejudicadas pela falta de acesso à educação na pandemia. Alunos que deixaram de estudar na pandemia apontam a busca por emprego como principal motivo de abandono escolar, segundo pesquisa.
Reprodução/RPC
A pandemia afetou alunos de baixa renda de duas formas diferentes: fez com que o acesso à educação se tornasse mais difícil pela restrição de acesso à tecnologia usada nas aulas remotas e, ao mesmo tempo, retirou renda das famílias, empurrando os estudantes para a busca por emprego.
A pesquisa “TIC Covid-19”, divulgada nesta quinta-feira (5), aponta que 56% dos alunos que não estudaram na pandemia apontaram como motivo a busca por emprego.
No recorte por renda, o levantamento aponta que a maior parte (29%) dos alunos que não acompanharam aulas remotas é da classe D e E. Na classe B estão 20% e, na classe AB, 11%.
O levantamento tem abrangência nacional, foi feito entre 10 de setembro e 1º de outubro com 2.728 pessoas de 16 anos ou mais, usuários de internet, que estudam ou estudavam desde a educação básica até o ensino superior.
Os dados também apontam que 32% dos entrevistados afirmam que deixaram de estudar porque a escola não ofereceu aulas ou atividades do curso.
Equipamentos de conexão
A pesquisa aponta que a maior parte (37%) dos alunos acompanha as aulas on-line pelo celular. Outros 29% usam notebook, 1% usa tablet e 1%, televisão.
No recorte por renda, a classe A usa mais notebook (45%), e as classes C, D e E usam mais smartphone (54%).
Barreiras nas aulas on-line
De acordo com a pesquisa, a dificuldade de tirar dúvidas com professores foi a principal barreira para acompanhar as aulas, apontada por 38% dos entrevistados, seguida por baixa qualidade de conexão ou a inexistência dela (36%), falta de estímulo para estudar (33%) e a baixa qualidade das aulas (27%).
Ensino híbrido pós-pandemia
Após a suspensão das aulas presenciais, em março, alguns estados e municípios já estão reabrindo as escolas. Mas, não para todos os alunos. Os protocolos de segurança, para evitar aglomeração, recomendam que parte dos alunos vá às salas de aulas, e outra parte fique em casa, estudando pelas ferramentas on-line, rádio ou televisão, já implantadas.
Em setembro, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou que as aulas remotas sejam permitidas até o fim de 2021. O parecer ainda não foi homologado pelo MEC.
Os dados da pesquisa “TIC Covid-19” apontam desafios que devem se estender, mesmo após a reabertura das escolas.
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