‘1917’ deve ganhar como melhor filme e ‘Parasita’ é azarão, dizem ‘termômetros’ do Oscar


Filme sobre 1ª Guerra foi premiado pelos principais sindicatos de Hollywood, mas vitórias do filme sul-coreano em outras associações mantêm chances vivas. Se depender das premiações que servem como maiores indicadores do Oscar todo ano, em 2020 a equipe de “1917” já pode preparar o discurso de agradecimento da categoria de melhor filme. O maior evento do cinema americano acontece neste domingo (9), em Los Angeles.
Com vitórias dadas pelos dois maiores “termômetros” da categoria principal do Oscar, os sindicatos dos produtores e dos diretores de Hollywood, o filme sobre a Primeira Guerra Mundial já tem uma mão na estatueta.
O único que ainda tem alguma chance de surpreender é o sul-coreano “Parasita”, que também conseguiu algumas conquistas importantes.
São quatro organizações principais que podem ser consideradas indicadoras de como pensa a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, organizadora do Oscar:
PGA: Sindicato dos Produtores da América
DGA: Sindicato dos Diretores da América
SAG: Sindicato dos Atores
WGA: Sindicato dos Roteiristas da América (que premia original e adaptado)
*as siglas vêm do inglês

Cido Gonçalves/G1
O favorito
Com os prêmios do DGA e do PGA, “1917” é franco favorito. Desde 2005, somente três produções ganharam o Oscar de melhor filme sem uma vitória em pelo menos uma das duas organizações.
Mais do que isso, das dez vezes em que um filme foi escolhido por por ambas, só duas não levaram a estatueta. Em 2006, “O segredo de Brokeback Mountain” foi superado por “Crash – No limite” e, em 2017, “La la land” perdeu para “Moonlight” (em um dos maiores micos da história do Oscar).
A força de previsão dos dois sindicatos fica maior historicamente. O filme do diretor ganhador do DGA também venceu o Oscar 54 vezes em 71 edições (um total de 76% de acerto).
Com um grande número de membros votantes da Academia e um sistema de votação parecido, o PGA também costuma mandar bem. A produção do ano do sindicato levantou a estatueta de melhor filme 21 vezes em 30 anos (um índice de 70%).
O prêmio do DGA também praticamente garante o Oscar a Sam Mendes como diretor (desde 1948, o escolhido do sindicato só não levou o Oscar em oito ocasiões).
Caso isso realmente aconteça, as chances de “1917” aumentam ainda mais. Ao longo de 91 anos, o cineasta ganhador em sua categoria indicou o melhor filme 65 vezes.
Choi Woo-sik, Song Kang-ho, Jang Hye-jin e Park So-dam em cena de ‘Parasita’
Divulgação
O azarão
O que não quer dizer também que “Parasita” não pode mais sonhar. O filme foi escolhido com o melhor elenco pelo SAG e com o melhor roteiro original pelo WGA.
O prêmio dos atores não significa muito em si, mas pode ser um problema para seu maior concorrente, que não foi nem indicado à categoria. Somente um filme conseguiu o Oscar principal sem um elenco lembrado pelo Sindicato dos Atores – “Coração Valente”, em 1996.
Com cerca de 1.300 membros dos mais de 8.400 membros da Academia, os atores podem fazer a diferença na votação.
Além disso, desde 2005, duas das três grandes surpresas entre os melhores filmes ganharam os mesmo prêmios do SAG e do WGA: “Crash”, em 2006, e “Spotlight”, em 2016. O roteiro original de “Moonlight”, que completa o trio, também foi premiado em 2017.
Mais do que superar “1917”, a sátira sul-coreana precisa vencer o histórico da Academia, que em 92 anos nunca escolheu um filme falado em língua estrangeira como vencedor em sua categoria principal.
“Parasita” e “1917” também têm outro problema. Apenas 11 produções ganharam como melhor filme sem ao menos um ator indicado ao Oscar. A última vez em que isso aconteceu foi em 2009, com “Quem quer ser um milionário?”.
Laura Dern, Joaquin Phoenix, Renée Zellweger e Brad Pitt são os favoritos nas categorias de atuação do Oscar 2020
Divulgação
Atores e coadjuvantes
Entre as categorias de atuação, não há muito espaço para surpresas considerando o histórico de “previsões” do SAG.
Desde 1994, o escolhido do sindicato a melhor ator só não levou o Oscar em quatro ocasiões. No caso das atrizes, os “erros” são um pouco maiores – já aconteceram cinco vezes. Joaquin Phoenix (“Coringa”) e Renée Zellweger (“Judy”) podem preparar os discursos.
Entre os coadjuvantes as coisas ficam um pouco mais abertas – mas bem pouco. O SAG não previu o prêmio da academia para atrizes coadjuvantes apenas oito vezes, o que deixa a vitória de Laura Dern (“História de um casamento”) quase certa.
Com os homens, foram nove discordâncias, mas Brad Pitt (“Era uma vez em Hollywood”) continua como favorito.