10 dicas de como trabalhar o antirracismo em sala de aula

Literatura, representatividade e religiosidade são alguns dos temas que podem ser tratados nas escolas para fomentar discussões antirracistas. Alunos combatem o racismo através de vídeos na internet
O ensino da história e cultura afro-brasileira na rede de ensino está determinado na Lei nº 10.639 desde 2003. No entanto, as irmãs e professoras Carolina e Fernanda Chagas Schneider vivenciaram a dificuldade implementar estes conteúdos nas salas de aula de maneira diversificada e multidisciplinar.
Pensando nisso, elas enumeraram na publicação digital “Escola para Todos: promovendo uma educação antirracista”, da Fundação Telefônica Vivo, 10 temas para planos de aula que podem ajudar os professores a cumprir com a obrigatoriedade estabelecida em lei, enquanto trabalham questões antirracistas com os alunos.
O lançamento da publicação aconteceu digitalmente na segunda-feira (20) e contou com a presença da escritora Conceição Evaristo, que cobrou um compromisso dos órgãos públicos de educação na implementação de políticas públicas raciais e comentou a importância da iniciativa que inclui a preparação de professores brancos no combate ao racismo nas escolas.
“É graças à ação dos professores que hoje temos profissionais brancos e negros incluídos na discussão antirracista e na efetivação prática de uma pedagogia que trate com competência a questão racial
As sugestões de planos de aula são adaptadas para serem utilizadas no ensino infantil, fundamental e médio. São elas:
Literatura
Segundo as autoras, a literatura é o ponto de partida das intervenções pedagógicas, por isso é importante utilizar em aula livros que apresentem o protagonismo negro. Ao trabalhar personagens negros em locais de protagonismo na literatura é possível promover a reflexão sobre a falta de pessoas negras em lugar de destaque nos livros infantis e conhecer personagens de diferentes etnias, que protagonizam histórias diversas.
Representatividade
Trabalhar planos de aula que apresentem pessoas negras de maneira positiva é importante para trazer exemplos do exercício das mais diferentes funções na sociedade, na política, nas artes, na história e em outros campos. Atividades como esta podem ajudar na discussão sobre privilégios, por exemplo.
Estética
A cultura afro-brasileira e africana também é composta esteticamente, com roupas, adornos, elementos religiosos ou culturais. Por isso, é importante discutir sobre cabelos, penteados, uso de turbantes e moda. Também é possível trabalhar as diferentes expressões artísticas em que a estética negra está presente.
Identidade
Ser negro no Brasil não é só sobre cor da pele. A identidade racial no país é uma construção impactada pela história, religião, estética e muito mais e esta noção pode ser apresentada como modo de fomentar a discussão em sala de aula..
Território
O território é uma parte importante da identidade racial de pessoas pretas e pode ser mostrado como referencial para o desenvolvimento dos povos negros no Brasil e no mundo. Questões como comunidade e berço originário podem ser tratados relacionados à geografia, por exemplo.
Ludicidade
A cultura afro-brasileira e africana se envereda pelas mais diferentes questões históricas do país. Neste plano, os professores apresentam aspectos lúdicos da cultura, como brincadeiras tradicionais dessas origens.
Corporeidade
Os traços físicos de pessoas negras são muitas vezes usados para menosprezar sua aparência. Por isso trabalhar o corpo, suas características físicas e seus movimentos, assim como o ser e estar no mundo como pessoa negra, é um elemento de importância para explicar e combater o racismo em sala de aula.
Musicalidade
Aqui, a música como uma forma de expressão da cultura negra é priorizada. Discutir a importância da música como elemento de resistência cultural e apresentar as ramificações dos ritmos, instrumentos e sonoridade ajuda a compreender a importância musical da cultura negra.
Religiosidade
Apresentar aos alunos as diferentes religiões de matriz africana, as mitologias e visões originadas do continente africano. Trabalhar o não preconceito a religiões não cristãs e discutir o respeito à crenças alheias.
Antirracismo
Por fim, trabalhar a discussão focada na desconstrução do racismo, pontuando a importância da participação de pessoas não-negras na luta pela igualdade.