Missão espacial tripulada da SpaceX parece ‘cada vez mais difícil’ em 2019, diz executivo


Nave Crew Dragon foi encarregada no início deste ano para transportar astronautas dos Estados Unidos para Estação Espacial Internacional. Foguete Falcon Heavy da SpaceX, durante preparação antes do lançamento
Steve Nesius/File Photo/Reuters
Hans Koenigsmann, executivo da SpaceX, disse nesta segunda-feira (15) que o plano de enviar seres humanos para o espaço em 2019 parece “cada vez mais difícil”. A companhia investiga os motivos da explosão de uma das cápsulas Crew Dragon durante um teste na Força Aérea da Flórida. O incidente ocorreu pouco antes do lançamento de oito unidades de emergência criadas para transportar a tripulação em segurança em caso de falha técnica. 
A Crew Dragon foi encarregada no início deste ano para transportar astronautas dos Estados Unidos para Estação Espacial Internacional. Essa seria a primeira missão tripulada em julho, embora a data tenha sido adiada para novembro após a explosão e algumas outras falhas no desenvolvimento do veículo. 
“Estou bem otimista neste momento por que temos um bom caminho pela frente”, disse Hans Koenigsmann, vice-presidente de Construção e Confiança de Voo da SpaceX em entrevista coletiva.
“Mas como eu disse, ainda não estamos completamente prontos. Minha ênfase é realmente em tornar isso seguro… Até o final deste ano, eu não acho que seja impossível, mas está ficando cada vez mais difícil”. 
A SpaceX esclareceu que a investigação do acidente aponta para um vazamento de uma válvula que pode ter causado a explosão. 
A agência espacial americana (Nasa) está pagando 2,6 bilhões de dólares à SpaceX e 4,2 bilhões de dólares à Boeing para construção de sistemas de foguetes e de lançamentos de cápsulas para levar astronautas de volta à Estação Espacial Internacional a partir de solo norte-americano pela primeira vez desde o fim do programa americano de ônibus espaciais, em 2011. 

Uma em cada seis mulheres do mundo desenvolve câncer de pulmão, diz novo relatório internacional


Doença é a principal causa de morte em 28 países, o que também inclui os pacientes do sexo masculino. Uma em cada seis mulheres desenvolvem o mal.
Ralf Kunze/Pixabay
O número de pacientes com câncer não para de crescer em todo o mundo e existem cada vez mais mulheres no planeta que serão afetadas pela doença em algum momento da vida. De acordo com dados da Agência Internacional para a Pesquisa sobre câncer (IARC, na sigla em inglês), publicados em 2019, uma em cada seis desenvolve o mal.
O câncer de pulmão é a principal causa de morte para homens e mulheres em 28 países, segundo o relatório da agência, que salienta a importância de conscientizar a população sobre o risco do tabagismo e a exposição passiva ao cigarro. De acordo com o epidemiologista Gautier Defossez, coordenador de uma pesquisa publicada em julho pelo Instituto Nacional do Câncer e de Saúde Pública na França, o estudo francês traz dados preocupantes.
“A situação para as mulheres mostra uma evolução do número de casos de cânceres do pulmão. O aumento da incidência é 5,3% por ano, um sinal alarmante que tem uma ligação direta com a exposição ao tabaco”, alerta.
Na França, respectivamente, o câncer de mama, o de pulmão e o colorretal são os mais comuns entre as mulheres, destaca o estudo, que levou em conta os últimos trinta anos. Cerca de 400 mil casos são diagnosticados por ano, a incidência da doença de um modo geral entre as mulheres registrou um forte aumento desde 1990. A alta é de 93%, mesmo que o número de mortes tenha diminuído, por conta dos progressos envolvendo tratamento e prevenção. O aumento do número de casos também resulta do próprio envelhecimento da população.
O câncer do seio também voltou a crescer no pais em 2010 depois de uma estabilização dos casos durante o ano 2000. Diversos fatores explicam essa tendência, ressalta o relatório: alimentação inadequada e obesidade, trabalho noturno e a exposição aos chamados disruptores endócrinos, presentes, por exemplo nos inseticidas usados na indústria da alimentação.
Mudanças no modo de vida que têm consequências diretas na saúde das mulheres, não só na França, mas em todo o mundo. Os autores do relatório ressaltam a importância de prevenir os cânceres que podem ser evitados. Entre eles o do pulmão, na maioria causados pelo tabagismo, do câncer do colo do útero, que pode ser curado em fase inicial, e contra o qual existe uma vacina, além do melanoma, tumor da pele desencadeado pela forte exposição aos raios ultravioletas.
Câncer de pulmão pode ficar escondido por 20 anos
Eric D. Smith, Dana-Farber Cancer Institute/Divulgação
Câncer do pulmão em mulheres também cresce no Brasil
No Brasil, também há um aumento número de casos do câncer do pulmão feminino, explica o oncologista Rodrigo Munhoz, do hospital Sírio Libanês, mesmo que esse tipo de tumor não esteja no topo das estatísticas.
“No sexo feminino, o câncer do pulmão vem crescendo em importância, e isso está relacionado ao habito do tabaco. Quase 90% dos casos dos cânceres de pulmão são atribuídos ao tabagismo”, diz, “mesmo que haja diferenças de hábitos entre a França e o Brasil”, pondera.
Os dados da Agência Internacional para a Pesquisa sobre câncer ressaltam que diferenças socioeconômicas influenciam as estatísticas em relação à doença nos países. E o caso no Brasil, onde o câncer do colo uterino ocupa o terceiro lugar entre os mais mortais.
“Câncer de mama, de colón e reto, do colo uterino. No Brasil, infelizmente o câncer de colo uterino ainda tem um destaque muito grande. Ele fica entre segundo e terceiro na maior parte do pais, mas na região norte, por exemplo, se você excluir o câncer de pele não-melanoma, que não entra muito nas estatísticas, o câncer de colo uterino é o principal. Justamente porque a gente tem, diferentemente da França, uma dificuldade maior de acesso para o Papanicolau ou a vacinação contra o HPV (vírus causador da doença)”, ressalta Rodrigo Munhoz.
O oncologista também lembra que o acesso das pacientes aos tratamentos que destroem as lesões malignas são mais restritos, o que faz que esse câncer, no Brasil, seja um dos maiores em incidência e mortalidade. Falta de adesão populacional e a limitação de políticas bem-estruturadas dificultam a diminuição dos casos. Em linhas gerais, há um aumento do câncer entre as mulheres no pais, explica o oncologista brasileiro, relacionado, entre outros fatores, ao envelhecimento da população.
Evolução dos tratamentos é relativa no Brasil
Em contrapartida ao aumento da incidência da doença demonstrado nas estatísticas, existe a evolução dos tratamentos, como a recente Imunoterapia, que aumenta e melhora a sobrevida. Mas essa é uma realidade, lembra o oncologista brasileiro, restrita aos países desenvolvidos:
“Infelizmente em países em desenvolvimento, essa reversão na mortalidade não é universal”, diz. “O Brasil infelizmente ainda é um pais muito heterogêneo”, destaca.
O oncologista lembra, por exemplo, que no pais o uso da imunoterapia é incomum, e reservado a quem tem plano de saúde – cerca de 25% da população. Quem depende do SUS pode beneficiar da técnica através de protocolos de pesquisas ou formalmente não tem acesso – com poucas exceções.
Além da adesão da população aos programas de prevenção, outro desafio, diz Rodrigo Munhoz, é “fazer com que paciente chegue onde ele deve chegar no momento adequado, e que receba o tratamento cirúrgico no momento em que a doença é localizada ou inicial”, diz. “Temos também o desafio do acesso, a dificuldade de se oferecer através do sistema único de Saúde muitos dos tratamentos que são entendidos como padrão”, conclui.