O homem que ficou 30 minutos sem ar e sobreviveu


Segundo a ciência, o corpo humano consegue sobreviver por apenas alguns minutos sem oxigênio. Mas algumas pessoas estão desafiando essa realidade. Houve um estalo assustador quando o cabo grosso que conectava Chris Lemons ao navio na superfície se rompeu. Esse vital cordão umbilical que ligava Lemons ao mundo acima dele levava energia, comunicação, calor e ar a sua roupa de mergulho, a 100 metros de profundidade no mar.
Seus colegas lembram do terrível barulho do rompimento dessa conexão vital, mas Lemons não ouviu nada. Num momento ele estava junto à estrutura submarina de metal em que estavam trabalhando e, em seguida, estava caindo de costas na direção do fundo do mar. Sua ligação com o navio havia se perdido, e com ela qualquer esperança de que ele pudesse retornar à embarcação.
Mais importante, seu suprimento de ar também havia sido rompido, deixando-o com um suprimento de emergência para apenas seis ou sete minutos. Nos 30 minutos seguintes, no fundo do Mar do Norte, Lemons experimentaria algo a que poucas pessoas sobreviveram para poder falar a respeito: ele ficou sem ar.
Chris Lemons já fazia mergulho de saturação havia um ano e meio na época do acidente
Chris Lemons
“Não tenho certeza se eu tinha compreensão total do que estava acontecendo”, lembra Lemons. “Eu bati com as minhas costas no fundo do mar e me vi cercado por uma escuridão completa. Eu sabia que tinha uma quantidade bem pequena de ar nas minhas costas, e as minhas chances de sair de lá eram quase inexistentes. Uma espécie de resignação tomou conta de mim. Eu me lembro de ter sido tomado por uma tristeza, de certa forma.”
Lemons fazia parte de uma equipe de mergulho de saturação que consertava oleodutos num poço de petróleo no campo de exploração Huntington, cerca de 204 km a leste de Aberdeen, na costa leste da Escócia (Reino Unido). Para fazer esse trabalho, mergulhadores precisam passar um período de um mês vivendo, dormindo e comendo em câmaras especialmente construídas, a bordo do navio de mergulho, separados do resto da tripulação por uma parede de metal e vidro. Nesses tubos, de seis metros de comprimento, os três mergulhadores se aclimatizam à pressão que eles experimentarão embaixo d’água.
É uma forma inusitada de isolamento. Os três mergulhadores podem falar e ver seus colegas que estão fora da câmara, mas fora isso estão separados deles. Os integrantes de cada equipe dependem completamente uns dos outros – antes de eles deixarem a câmara hiperbárica ou antes que alguma ajuda possa ser levada para seu interior, são necessários seis dias de descompressão.
“É uma situação bastante estranha”, diz Lemons, de 39 anos. “Você está vivendo num navio, cercado por muitas pessoas que estão separadas de você apenas por um pedaço de metal, mas você está completamente isolado delas. De certa maneira, é mais rápido voltar da Lua do que das profundezas do mar.”
A descompressão é necessária porque o nitrogênio do ar comprimido que os mergulhadores respiram, enquanto estão embaixo d’água, dissolve em suas correntes sanguíneas e tecidos enquanto estão em grande profundidade. Quando eles voltam para a superfície, a pressão da água desaparece, e as bolhas de nitrogênio deixam o corpo. Se isso acontece muito rapidamente, pode causar dores nos tecidos do corpo e danos ao sistema nervoso, além de levar à morte casos as bolhas se formem no cérebro – uma condição comumente conhecida como “bends” (torções).
Riscos rotineiros
Os mergulhadores que fazem esse trabalho, no entanto, lidam com esses riscos com facilidade. Para Lemons, a maior preocupação era passar tanto tempo longe de sua noiva, Morag Martin, e a casa em que vivem, na costa oeste da Escócia.
O dia 18 de setembro de 2012 começara de forma normal para Lemons e os dois colegas com quem ele estava mergulhando – Dave Youasa e Duncan Allcock. Os três entraram no sino de mergulho, que seria baixado a partir do navio Bibby Topaz até o fundo do mar, onde eles fariam os trabalhos de reparo.
“De certa maneira, era apenas um dia comum de trabalho”, diz Lemons. Apesar de não ser tão experiente quanto seus dois colegas, ele mergulhava havia oito anos e já fazia mergulho de saturação havia um ano e meio, tendo participado de nove mergulhos em águas profundas. “O mar estava um pouco agitado na superfície, mas no fundo estava bastante claro.”
Chris Lemons passou 30 minutos no fundo do mar, sem receber ar
Dogwoof
O mar agitado, entretanto, iniciaria uma reação em cadeia que quase tirou a vida de Lemons. Normalmente, navios de mergulho usam sistemas de navegação e propulsão controlados por computador – conhecidos como posicionamento dinâmico – para manter a embarcação sobre o local do mergulho enquanto há pessoas embaixo d’água. Assim que Lemons e Youasa começaram a consertar os dutos, sob supervisão de Allcok, que estava dentro do sino, o sistema de posicionamento do navio Bibby Topaz parou de funcionar repentinamente. O navio rapidamente começou a sair de posição.
No fundo do mar, alarmes dispararam no sistema de comunicação dos mergulhadores. Lemons e Youasa foram instruídos a voltar ao sino de mergulho. Mas, quando eles começavam a seguir seus cordões umbilicais, o navio já havia se movimentado por sobre a alta estrutura de metal em que eles estavam trabalhando – o que significou que eles tinham de escalá-la.
Quando eles chegaram perto do topo, no entanto, o cordão umbilical de Lemons ficou preso num pedaço de metal da estrutura. Antes que ele pudesse soltá-lo, o navio puxou o cabo e o puxou contra os pilares de metal. “Dave percebeu que havia algo de errado e virou-se para voltar na minha direção”, diz Lemons, cuja história virou tema do documentário Last Breath (Último Suspiro, em tradução livre).
Chris Lemons inconsciente no fundo do mar, em imagem enviada por um veículo de operação remota
Floating Harbour
“Nós tivemos esse estranho momento em que estávamos olhando para os olhos um do outro. Ele estava nadando desesperadamente para chegar até mim, mas o navio o puxava para longe. Antes que eu percebesse, eu não tinha mais nenhum ar porque o cabo estava esticado demais.”
A tensão sobre o cabo deve ter sido imensa. Composto de uma série de tubos e cabos elétricos, com uma corda passando pelo meio, ele começou a se romper enquanto a embarcação o puxava, o esticando cada vez mais. Instintivamente, Lemons ligou em seu capacete o dispositivo para a entrada do ar comprimido de emergência do tanque que carregava nas costas. Mas, antes que ele conseguisse fazer qualquer outra coisa, o cabo se partiu, e ele foi jogado de volta para o fundo no mar.
Milagrosamente, em total escuridão, Lemons conseguiu ficar em pé e encontrar seu caminho de volta à estrutura de metal do poço de petróleo, para escalá-la novamente até o topo, na esperança de avistar o sino e voltar em segurança.
“Quando eu cheguei lá, não havia sinal do sino”, diz Lemons. “Eu decidi ficar calmo e conservar o pouco de ar comprimido que eu ainda tinha. Eu tinha apenas cerca de seis ou sete minutos de ar de emergência nas minhas costas. Eu não esperava ser resgatado, então eu apenas me curvei, como uma bola.”
Sem oxigênio o corpo humano pode sobreviver por apenas alguns minutos antes que o processo biológico que alimenta as células comece a falhar. Os sinais elétricos que alimentam os neurônios no cérebro diminuem e depois param completamente.
“A perda de oxigênio está no último extremo da sobrevivência”, diz Mike Tipton, chefe do laboratório de ambientes extremos da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. “O corpo humano não tem uma grande reserva de oxigênio – talvez uns dois litros. Como você a utiliza depende do seu metabolismo.”
Um adulto em descanso geralmente usa entre 20% e 25% de um litro de oxigênio a cada minuto. Isso pode aumentar para quatro litros por minuto se eles estiverem se exercitando fortemente. “Se alguém estiver estressado ou em pânico, isso também pode elevar a taxa de metabolismo”, diz Tipton, que estudou pessoas que sobreviveram a longos períodos sem ar embaixo d’água.
Tentativa de resgate
A bordo do Bibby Topaz, a tripulação tentava desesperadamente navegar o barco manualmente de volta à posição inicial para salvar o colega perdido. Enquanto eles se afastavam ainda mais, eles lançaram um submarino controlado por controle remoto na esperança de encontrá-lo. Quando o submarino o encontrou, eles olharam impotentes, por suas câmeras, enquanto os movimentos de Lemons gradualmente pararam, e sua vida se esvaía.
“Eu me lembro de puxar os últimos restos de ar do tanque nas minhas costas”, diz Lemons. “Exigiu mais esforço puxar o ar para baixo. Eu senti um pouco como os momentos antes de você cair no sono. Não foi desagradável, mas eu posso me lembrar de me sentir com raiva e me desculpando muito a minha noiva, Morag. Eu estava com raiva por causa dos danos que isso causaria a outras pessoas. E então, não havia mais nada.”
Passaram-se 30 minutos até que a tripulação do Bibby Topaz fosse capaz de retomar o controle e reiniciar o sistema de posicionamento dinâmico que havia falhado. Quando Youasa chegou até Lemons, no topo da estrutura submarina, seu corpo não se mexia. Youasa arrastou o colega de volta até o sino e o passou para Allcock. Quando eles removeram seu capacete, Lemons estava azul e não respirava. Instintivamente, Allcock lhe deu duas respirações de ressuscitação boca a boca. Milagrosamente, Lemons retomou a consciência.
“Eu estava meio tonto, e havia algumas luzes piscando, mas eu não tenho muitas lembranças claras de quando acordei”, diz Lemons. “Eu me lembro de Dave sentado, do outro lado do sino, parecendo exausto, e eu não sabia exatamente por quê. Foi apenas alguns dias depois que eu percebi a gravidade da situação.”
Quase sete anos depois, Lemons segue perplexo sobre como ele conseguiu sobreviver por tanto tempo sem oxigênio. Segundo o senso comum, ele deveria ter morrido, depois de ter ficado tanto tempo no fundo do mar. Mas parece que a água gelada do Mar do Norte pode ter tido um papel nesse desfecho – a cerca de 100 metros de profundidade, a temperatura da água provavelmente estava abaixo de 3 graus Celsius. Sem a água quente que fluía através do cordão umbilical para aquecer sua roupa de mergulho, seu corpo e seu cérebro rapidamente esfriaram.
O acidente de Chris Lemons é tema do documentário ‘Last Breath’
Dogwoof
“O rápido esfriamento do cérebro pode aumentar o período de sobrevivência sem oxigênio”, diz Tipton. “Se você reduz a temperatura em 10 graus, a taxa de metabolismo pode cair pela metade. Se você reduz a temperatura do cérebro para 30 graus, isso pode elevar o tempo de sobrevivência de 10 minutos para 20 minutos. Se você esfriar o cérebro para 20 graus, esse tempo pode chegar a uma hora.”
O ar comprimido que mergulhadores de saturação normalmente respiram pode ter dado uma chance a mais a Lemons. Quando alguém respira muito oxigênio sob pressão, ele pode dissolver na corrente sanguínea, dando ao corpo reservas adicionais que ele pode usar.
Ficando hipóxico
Mergulhadores são talvez as pessoas mais propensas a experimentarem uma perda repentina de suprimento de ar. Mas existem muitas outras situações em que o fornecimento de oxigênio pode ser cortada. Integrantes de brigadas de combate a incêndio com frequência dependem de equipamentos de respiração quando entram em prédios tomados por fumaça, e pilotos de jatos que voam em altas altitudes também usam máscaras de respiração.
Em casos menos extremos, a falta de oxigênio – conhecida como hipoxia – pode afetar muitas pessoas. Alpinistas experimentam níveis baixos de oxigênio quando estão em montanhas altas, uma condição que é regularmente apontada como responsável por acidentes. Quando níveis de oxigênio caem, o funcionamento do cérebro pode sofrer, levando a decisões ruins e confusão.
Pacientes que passam por cirurgia também muitas vezes enfrentam uma hipoxia leve, que pode afetar sua recuperação. Derrames também são causados pela perda de oxigênio no cérebro de uma pessoa, o que leva à morte de células e a danos que podem ter efeitos duradouros em sua vida.
“Há várias doenças em que o estágio final é a hipoxia”, diz Tipton. “Uma das coisas que acontecem é que pessoas que estão hipóxicas começam a perder sua visão periférica, e elas acabam olhando para um ponto. Acredita-se que esse seja o motivo pelo qual pessoas dizem ver uma luz no fim de um túnel quando vivem uma experiência de estar bem perto da morte.”
Desde o acidente com Chris Lemons, mergulhadores de saturação agora carregam suprimentos de ar para 40 minutos, em vez de apenas 6 ou 7
Dogwoof
O próprio Lemons sobreviveu a seu período sem oxigênio sem sequelas. Ele identificou apenas alguns machucados nas suas pernas depois de sua traumática experiência. Mas sua sobrevivência não é algo inédito. Tipton examinou 43 casos separados na literatura da medicina de pessoas que ficaram submersas na água por longos períodos. Quatro delas se recuperaram, incluindo uma menina de dois anos e meio de idade que sobreviveu depois de ficar embaixo d’água por pelo menos 66 minutos.
“Crianças e mulheres têm mais chances de sobreviver porque são menores, e seus corpos tendem a esfriar muito mais rapidamente”, diz Tipton.
O treinamento para mergulhadores de saturação como Lemons também pode, inadvertidamente, ensinar seus corpos a lidarem com situações extremas. Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia Norueguesa (NTNU), em Trondheim, descobriram que mergulhadores de saturação adaptam-se ao ambiente extremo em que trabalham alterando a atividade genética de suas células sanguíneas.
“Nós vimos uma mudança clara nos programas genéticos para transporte de oxigênio”, diz Ingrid Eftedal, chefe do grupo de pesquisa em barofisiologia (que estuda os efeitos de mergulho e pressões extremas sobre o corpo humano) da NTNU. O oxigênio é carregado em nossos corpos na hemoglobina, molécula encontrada nos nossos glóbulos vermelhos. “Nós descobrimos que a atividade de genes em todos os níveis do transporte de oxigênio – desde a hemoglobina até a produção e atividade dos glóbulos vermelhos – é reduzida durante o mergulho de saturação”, diz Eftedal.
A pesquisadora e seus colegas acreditam que isso possa ser uma resposta às altas concentrações de oxigênio que os mergulhadores respiram enquanto estão embaixo d’água. É possível que a redução do transporte de oxigênio no corpo de Lemons tenha permitido que o pequeno suprimento que ele possuía tenha durado por mais tempo. Exercitar-se antes de mergulhar também mostrou ser algo que ajuda a reduzir o desenvolvimento dos chamados “bends”.
Evolução humana no mergulho sem equipamentos
Estudos feitos com integrantes de povos indígenas que costumam mergulhar sem nenhum equipamento também mostram o quanto o corpo humano consegue se adaptar a viver sem oxigênio. Membros do grupo Bajau, da Indonésia, conseguem atingir profundidades de até 70 metros apenas prendendo a respiração, enquanto pescam com a ajuda de lanças.
Melissa Ilardo, geneticista evolucionária da Universidade de Utah (EUA), descobriu que os Bajau desenvolveram-se geneticamente para ter baços 50% maiores que os do povo Saluan, seus vizinhos que vivem no interior. Estima-se que o baço exerça um papel-chave em permitir que seres humanos mergulhem sem auxílio de tanques de oxigênio.
“Existe uma coisa chamada reflexo de mergulho mamífero, que nos humanos é acionado pela combinação do ato de prender a respiração e mergulhar na água”, diz Ilardo. “Um dos efeitos do reflexo de mergulho é a contração do baço. O baço funciona como uma reserva para glóbulos vermelhos ricos em oxigênio, e quando ele contrai esses glóbulos vermelhos são colocados em circulação, providenciando uma oferta adicional de oxigênio. Ele pode ser visto como um tanque de oxigênio biológico.”
Com baços maiores, acredita-se que os Bajau se beneficiem de uma injeção maior de sangue oxigenado e por isso consigam prender sua respiração por mais tempo. Um mergulhador Bajau que Ilardo conheceu lhe disse já ter ficado 13 minutos embaixo d’água.
O próprio Lemons voltou a mergulhar três semanas depois de seu acidente – no mesmo local onde ele havia acontecido, para terminar o trabalho que eles haviam começado. Ele também se casou com Morag, e os dois tiveram uma filha. Ao refletir sobre seu flerte com a morte e sua sobrevivência milagrosa, ele não assume muito crédito por suas próprias ações.
Após o acidente, Lemons casou-se com Morag
Chris Lemons
“Um dos maiores motivos pelos quais eu sobrevivi foi a qualidade das pessoas em torno de mim”, diz ele. “Na verdade, eu fiz muito pouco, foi o profissionalismo e o heroísmo dos outros dois embaixo d’água comigo e de todo mundo no navio. Eu tive muita sorte.”
Seu acidente provocou uma série de mudanças dentro da comunidade de mergulhadores. Eles agora usam tanques de emergência que carregam 40 minutos de ar, em vez de cinco. Os cordões umbilicais agora são decorados com luzes, para que possam ser vistos com mais facilidade embaixo d’água.
As mudanças na própria vida de Chris Lemons não foram tão dramáticas. “Eu ainda tenho que trocar fraldas”, brinca ele. Mas ele diz pensar de forma diferente sobre a morte hoje. “Eu não vejo mais como algo a ser temido. É algo mais ligado ao que deixamos para trás.”

Painel da OMS decide não declarar emergência internacional de ebola


Epidemia no Congo é a segunda pior da história, com 2.108 casos de Ebola e 1.411 mortes desde agosto passado. Nesta semana, chegou a Uganda, onde três casos foram registrados, todos em pessoas que chegaram do Congo. Duas delas morreram. Integrante da equipe médica para o tratamento de ebola em Uganda
Isaac Kasamani/AFP
Um painel da Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu na sexta-feira (14) não declarar emergência internacional pelo surto de Ebola no Congo, apesar de ele ter se espalhado para Uganda esta semana, concluindo que uma declaração dessa natureza pode causar danos econômicos.
A epidemia no Congo é a segunda pior da história, com 2.108 casos de Ebola e 1.411 mortes desde agosto passado. Nesta semana, chegou a Uganda, onde três casos foram registrados, todos em pessoas que chegaram do Congo. Duas delas morreram.
Em um comunicado, o painel com 13 especialistas médicos independentes do Comitê de Emergência da OMS apelou a países vizinhos “sob risco” para que melhorem a prontidão para detectar e administrar casos de fora, como fez Uganda.
“Não é uma emergência global, é uma emergência na República Democrática do Congo, uma grave emergência que pode afetar países vizinhos”, disse o médico Preben Aavitsland, presidente interino do painel, numa entrevista coletiva no quartel-general da agência da ONU em Genebra.
“A opinião do Comitê é que há pouco a ganhar em uma declaração de PHEIC (sigla, em inglês, para Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional) e potencialmente muito a perder”.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, falando pelo telefone de Kampala, disse: “A propagação de Ebola em Uganda é um novo desenvolvimento, mas a dinâmica fundamental do surto não mudou”.
Autoridades de Uganda reuniram uma lista de 98 contatos, ou contatos de contatos, potencialmente expostos ao vírus do Ebola, dos quais 10 são considerados de “alto risco”, disse Mike Ryan, diretor-executivo do programa de emergência da OMS.
A vacinação desses contatos e trabalhadores de saúde com uma vacina experimental da Merck deve começar neste sábado, disse.
Alguns grupos médicos pediram que o comitê declarasse emergência, o que poderia levar ao reforço de medidas de saúde pública, financiamento e recursos.
Apenas quatro emergências foram declaradas na última década, incluindo o pior surto de Ebola na África Ocidental entre 2014 e 2016. Os outros foram nos casos de Influenza, em 2009, pólio, em 2014, e vírus Zika, em 2016.
Ryan afirmou à Reuters, na sexta-feira, que não havia sinais de transmissão local de vírus Ebola em Uganda.