Caminhoneiros estão no Planalto com ‘pauta gorda’ de reivindicações

Greve promoveu bloqueio em centenas de pontos no país

Greve promoveu bloqueio em centenas de pontos no país
Tânia Rêgo/Agência Brasil – 25.05.2018

Pelo menos 15 caminhoneiros autônomos de vários Estados chegaram ao Palácio do Planalto na noite deste domingo, 27, para, segundo eles, se reunirem com o presidente Michel Temer a quem querem apresentar uma pauta de reivindicações.

O grupo reforçará a pauta já apresentada na quinta-feira – com pedido de medida provisória para uma nova política de remuneração do frete e um decreto presidencial para zerar o PIS/Cofins – e também novos pedidos – como garantir 30% do transporte da carga dos Correios para motoristas autônomos. O encontro não está previsto na agenda do presidente da República.

“Nossa pauta é mais gorda que a apresentada antes”, disse Gilson Barbosa, representante do Movimento de Transportes de Grãos, de Mato Grosso. O encontro tem representantes autônomos de Estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e entorno do Distrito Federal. Ao chegar ao Planalto, os motoristas disseram que a audiência com Temer foi agendada, mas não informaram por quem.

Na reunião, caminhoneiros disseram que pedirão mais assertividade nas medidas prometidas pelo governo. Para a nova política para o frete, por exemplo, o governo se comprometeu a adotar uma nova tabela de referência em 1º de junho e atualizações trimestrais pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). O grupo pede que a mudança seja feita por MP e comece a vigorar imediatamente. O grupo também voltou a pedir a isenção da PIS/Cofins para o diesel por decreto presidencial.

Barbosa, do Mato Grosso, defendeu que os motoristas só voltarão a circular com medidas concretas publicadas e não simples promessas. “Queremos efetividade de ação. Nada de promessas. Só aceitamos medidas publicadas no Diário Oficial”, disse Fábio Roque, transportador autônomo do Rio Grande do Sul. “Fomos convidados pelo governo. O movimento é soberano e estamos aqui para resolver. Não adianta acordo verbal. Só com as reivindicações publicadas no DO”, emendou Barbosa.

Além de reforçar a pauta de quinta-feira ou pedir agilidade ao acordo já firmado, o grupo também trouxe novos pedidos ao governo. Um dos pedidos será a oferta de 30% da carga movimentada pelos Correios aos motoristas autônomos. O mesmo pedido foi feito para o transporte da Petrobras e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O acordo firmado na quinta-feira prevê que o governo oferecerá 30% do transporte da Conab, mas não garantiu o mesmo para a Petrobras e sequer menciona os Correios.

Aos jornalistas, alguns dos motoristas citaram que estavam no encontro realizado na última sexta-feira, mas não assinaram o documento firmado por outras entidades e o próprio governo. Segundo os autônomos que chegaram ao Planalto neste domingo, o grupo dialoga com as estradas e sabe com detalhe os pedidos dos caminhoneiros que estão parados nas rodovias.

Após a frustração com o acordo firmado na quinta-feira com líderes nacionais e que foi completamente ignorado pelas estradas, o Palácio do Planalto decidiu abrir diálogo com coordenadores regionais e específicos do movimento para tentar resolver o problema que já está no sétimo dia e ameaça se estender por tempo indeterminado. A ação foca especialmente os motoristas que estão à frente dos pontos de protesto com maior resistência ou considerados estratégicos pelo gabinete de monitoramento criado pelo governo federal.

Powered by WPeMatico

EUA e Coreia do Norte se encontram para renegociar cúpula

Trump cancelou reunião marcada para 12 de junho

Trump cancelou reunião marcada para 12 de junho
REUTERS/Kevin Lamarque/24.04.2018

Autoridades norte-americanas e norte-coreanas se reuniram na fronteira entre Coreia do Norte e Coreia do Sul no domingo (27) para prepararem para uma possível reunião de cúpula, enquanto Kim Jong-un, da Coreia do Norte, reafirmou seu compromisso de se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, segundo relatos.

Tanto Pyongyang quanto Washington estão avançando nos planos para uma reunião entre os dois líderes após Trump cancelar a reunião marcada para o dia 12 de junho na quinta-feira (24), apenas para reconsiderar a decisão no dia seguinte.

“Uma delegação dos EUA está em conversações com as autoridades norte-coreanas em Panmunjom”, disse a porta-voz Heather Nauert, referindo-se a uma vila na Zona Desmilitarizada (DMZ) ao longo da fronteira fortemente armada entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.

“Continuamos nos preparando para uma reunião entre o presidente e o líder norte-coreano Kim Jong Un”, disse ela em um comunicado.

Além das negociações na fronteira, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse que uma “equipe pré-avançada” partiu para Cingapura no domingo de manhã para trabalhar na logística para uma possível reunião de cúpula.

Mais cedo neste domingo, o presidente sul-coreano Moon Jae-in disse que ele e Kim, da Coreia do Norte, concordaram durante uma reunião surpresa no sábado que a cúpula EUA-Coreia do Norte deve ser realizada.

As reuniões de fim de semana marcam a mais recente reviravolta em uma semana de altos e baixos diplomáticos sobre as perspectivas de uma cúpula sem precedentes entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte e o mais forte sinal de que os líderes das duas Coreias tentam manter a reunião nos trilhos.

Uma fonte oficial norte-americana disse à Reuters que Sung Kim, ex-embaixador dos EUA na Coreia do Sul e ex-negociador da questão nuclear com o Norte, lideraria uma delegação para se encontrar com autoridades norte-coreanas na fronteira.

O jornal Washington Post foi o primeira a informar que a equipe, que também inclui Allison Hooker, especialista em Coreia do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, se reuniu com Choe Son Hui, o vice-ministro das Relações Exteriores norte-coreano.

O Post disse que as reuniões continuariam na segunda e na terça-feira em Tongilgak, o prédio do Norte onde foi assinada a trégua que suspende a Guerra da Coreia de 1950 a 53.

O presidente da Coreia do Sul Moon Jae-in afirmou mais cedo que ele e Kim, da Coreia do Norte, concordaram em uma reunião surpresa no sábado que a possível reunião entre Coreia do Norte e EUA deveria acontecer, disse Moon em coletiva de imprensa em Seul.

No encontro de sábado, Kim reafirmou seu comprometimento para “completar” a desnuclearização da península coreana e com a reunião planejada com Trump, disse Moon em coletiva em Seul.

“O presidente Kim e eu concordamos que a reunião de 12 de junho deve ter sucesso na sua realização, e que nossa busca pela desnuclearização da península e por um regime de paz perpétuo não deve ser interrompida”, disse Moon.

O encontro foi a mais recente reviravolta em uma semana de altos e baixos diplomáticos em torno das perspectivas de uma reunião sem precedentes entre Estados Unidos e Coreia do Norte, e sinal mais forte até agora de que os líderes das duas Coreias estão tentando manter a reunião.

Trump afirmou no sábado que ainda estava considerando a data de 12 de junho para a reunião em Cingapura e que as negociações estavam progredindo muito bem.

“Estamos indo muito bem em termos de uma reunião com a Coreia do Norte”, disse Trump na Casa Branca. “Está indo muito bem. Estamos olhando para 12 de junho em Cingapura. Isso não mudou. Então, veremos o que acontece.”

Moon, que voltou a Seul na quinta-feira de manhã após reunião com Trump em Washington em um esforço de manter a reunião EUA e Coreia do Norte, afirmou ter entregue uma mensagem da “firme determinação” de Trump em acabar com o relacionamento hostil com a Coreia do Norte e buscar cooperação econômica bilateral.

Trump afirmou em carta a Kim na quinta-feira que estava cancelando a reunião planejada em Cingapura citando a “aberta hostilidade” da Coreia do Norte.

Autoridades norte-americanas estão céticas de que Kim irá abandonar seu arsenal nuclear, e Moon afirmou que a Coreia do Norte ainda não está convencida de que pode confiar nas garantias de segurança dos Estados Unidos.

Powered by WPeMatico