Roberta Campos revive ‘Último romance’ da banda Los Hermanos


Cantora regrava música de Rodrigo Amarante em single que sai no Dia dos Namorados. ♪ Foi em casa que Roberta Campos gravou, sozinha, o primeiro álbum da carreira, Para aquelas perguntas tortas, lançado em 2008. De lá para cá, a cantora e compositora mineira já editou vários singles de feitura caseira. O próximo, Último romance, chega estrategicamente ao mercado fonográfico em 12 de junho, Dia dos Namorados.
Trata-se de regravação da canção composta por Rodrigo Amarante e lançada há 17 anos pela banda Los Hermanos no terceiro álbum do quarteto carioca, Ventura (2003). Produzido por Roberta Campos com Rafael Ramos, o single Último romance tem o toque do violoncelo de Yanel Matos na gravação conduzida pela voz e pelo violão da artista.
Fora da discografia do grupo, a música Último romance tinha ganhado até então um único registro fonográfico, feito curiosamente com a participação da própria Roberta Campos. Essa gravação figura em Ventura sinfônico, CD e DVD editados em 2017 com o registro do concerto em que a Orquestra Petrobrás Sinfônica toca o repertório do terceiro álbum da banda Los Hermanos em atmosfera clássica.
Nesse projeto sinfônico, Roberta e o cantor Rodrigo Costa foram solistas vocais arregimentados pela orquestra para as abordagens de algumas músicas – entre elas, Último romance.
E cabe lembrar que, dois anos antes, em 2015, Roberta Campos já havia feito conexão com Marcelo Camelo – integrante dos Los Hermanos tão fundamental para a banda quando Rodrigo Amarante – na gravação de Amiúde, canção autoral do quarto álbum da artista, Todo caminho é sorte (2015). Camelo participou da faixa ao lado de Marcelo Jeneci.
Editado pela gravadora Deck, o single Último romance será lançado por Roberta Campos juntamente com o clipe da música, filmado em plano-sequência em parede branca da casa da cantora, sob direção de Marina Campos. “É como se eu morasse dentro da canção”, poetiza Roberto Campos, com a devida dose de romantismo inerente ao mês de junho.

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Após casos de Covid-19 em grupos musicais, especialistas alertam para riscos em lives e corais


Corais de SP têm integrantes doentes; membros da equipe de dupla foram infectados após live. Especialistas dizem que proximidade entre músicos é mais perigosa que atividade em si. Corais do Theatro Municipal de São Paulo tiveram 8 casos confirmados de Covid-19; maestrina do Coro Paulistano morreu
Celso Tavares/G1
Relatos de contaminação pelo coronavírus em reuniões de grupos musicais – que, em alguns casos, levaram à morte de integrantes – acenderam um alerta. Afinal, cantores e instrumentistas são vetores mais perigosos de coronavírus do que outras pessoas?
“Um músico pode cantar com força, soltar mais secreção, mas o grande risco nesses casos é as pessoas estarem próximas, independentemente de estarem falando, cantando ou tocando”, explica o médico infectologista Renato Grinbaum, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Na última semana, dois profissionais – um baixista e um técnico de som – da equipe de Zezé Di Camargo e Luciano foram diagnosticados com a doença. Segundo a assessoria da dupla, os dois testaram positivo cerca de 10 dias depois de trabalharem em uma live dos artistas, no dia 10 de maio.
Zezé di Camargo e Luciano também fizeram o teste para Covid-19, mas o resultado foi negativo.
Os shows transmitidos on-line deram a cara do entretenimento durante a quarentena, mas alguns geraram críticas pela grande quantidade de músicos e técnicos nos bastidores.
“Não é a atividade em si, mas o fato de serem pessoas próximas em um ambiente fechado que gera o maior risco, levando em consideração que cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas”, diz Grinbaum.
Para ele, reunir grandes quantidades de músicos e profissionais em nome do entretenimento, em meio à pandemia, gera um risco “injustificado”.
“Entendo que a diversão é importante para que as pessoas não entrem em depressão. Mas é um momento de resguardo. Nada vai amenizar o risco.”
Contaminação em corais
Em 26 de março, a maestrina Naomi Munakata, do Coral Paulistano, morreu aos 64 anos, vítima de complicações causadas pelo coronavírus.
A maestrina titular do Coral Paulistano Naomi Munakata, de 64 anos.
Divulgação
Segundo o Theatro Municipal de São Paulo, foram confirmados outros oito casos de Covid-19 em integrantes do Coral Paulistano e do Coro Lírico, ambos administrados pela instituição. Todos os pacientes já estão curados.
Além deles, três músicos apresentam sintomas da doença, mas sem gravidade, segundo o Theatro Municipal.
Até o dia 13 de março, quando a instituição suspendeu suas atividades dois dias após a declaração da pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), membros dos corais participavam de ensaios regulares para a ópera “Aida”, que estrearia no fim do mesmo mês.
Mais contaminação em corais
Outros casos de contaminação em corais foram relatados pela imprensa internacional.
Na Holanda, 102 dos 130 integrantes de um coral em Amsterdam tiveram Covid-19 após uma apresentação no dia 8 de março, um dos últimos grandes concertos de música clássica no país antes do confinamento. Um deles, de 78 anos, morreu.
Em Washington (EUA), membros de um coral se reuniram em março para um ensaio e, três semanas depois, 45 deles já haviam sido diagnosticados com a doença. Três foram hospitalizados e dois morreram.
Da mesma forma, músicos do coro da Catedral de Berlim contraíram o coronavírus após um ensaio em março e, na Inglaterra, integrantes de um coral em Yorkshire foram infectados no início deste ano.
Semana Pop faz homenagem aos artistas vítimas do novo coronavírus no Brasil
Pesquisa com cantores e músicos
Christian Kähler, um especialista em mecânica de fluidos da Universidade Militar de Munique, realizou um experimento para avaliar se os atos de cantar e tocar instrumentos podem gerar riscos extras de contaminação pelo coronavírus.
“Há décadas estudo como gotículas e aerossóis se comportam e tinha muita dúvida de que músicos e cantores estavam espalhando o vírus. Então, decidi medir o quão forte era o fluxo de ar deles ”, disse ao jornal britânico “The Guardian”.
Kähler analisou diferentes instrumentos e cantos em frequências altas e baixas.
Os resultados da pesquisa mostram que alguns instrumentos – como a flauta, por exemplo – possuem um fluxo de ar capaz de espalhar partículas de vírus. Mas cantar, por sua vez, não gera mais risco do que falar perto de alguém.
Para o especialista, os surtos de coronavírus após reuniões de corais provavelmente aconteceram por causa da proximidade entre os músicos.
Essa também é a tese defendida pelo médico da Sociedade Brasileira de Infectologia. Na opinião de Grinbaum, ainda não há um modo totalmente seguro de se reunir com outras pessoas.
Mesmo que haja uma eventual reabertura de casas de shows e teatros, enquanto não houver uma vacina contra a Covid-19, esses encontros continuarão sendo perigosos.
Para que corais e grupos musicais voltem a ensaiar, diz o infectologista, a única via seria permitir a volta ao trabalho apenas para pessoas que já possuem anticorpos contra o coronavírus.

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