Neil Young vai processar Trump por usar suas músicas em comícios


Ação, que busca multas de até US$ 150 mil por infração, não tem data, mas texto publicado em site do artista indica que seus advogados pretendem levá-la a um tribunal federal em Nova York. O cantor e compositor canadense Neil Young
DPA/AFP
Neil Young entrará com uma ação a fim de impedir que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, use suas músicas em atos de campanha, segundo documento publicado no site do artista.
O músico de 74 afirma que o presidente incorreu em violação de direitos autorais pelo uso das músicas “Rockin’ In The Free World” e “Devil’s Sidewalk” durante um comício em Tulsa, Oklahoma. “O demandante não pode permitir que sua música seja usada como tema para uma campanha divisiva, não americana, de ignorância e ódio”, diz o esboço do documento.
A ação, que busca multas de até US$ 150 mil (cerca de R$ 793 mil) por infração, não tem data, mas o texto indica que os advogados de Young pretendem levá-la a um tribunal federal em Nova York. O músico criticou várias vezes o uso por Trump de seus sucessos durante a campanha para as eleições presidenciais de novembro, pedindo ao presidente que deixasse de fazê-lo.
Vários artistas de renome internacional, como Pharrell Williams, Rihanna, Aerosmith e Adele, queixaram-se do uso de suas músicas por Trump. Em junho, os Rolling Stones ameaçaram empreender ações legais contra o republicano pelo uso do clássico “You Can’t Always Get What You Want” em atos de campanha.

Please enter banners and links.

Salles recua de proposta para reduzir meta oficial de preservação da Amazônia


Desistência se deu a pedido de área técnica do Ministério da Economia. Especialistas explicam que a proposta da pasta não significa diminuir a meta de reduzir em 90% o desmatamento e queimadas, mas sim o de abandoná-la e substituí-la por outra meta. Ricardo Salles recua e mantém meta de reduzir em 90% o desmatamento
O ministro Ricardo Salles recuou da proposta de substituir a meta de redução das queimadas e desmatamento ilegal em 90% até 2023 pela meta de proteger uma área de 390 mil hectares de floresta amazônica. O recuo do Ministério do Meio Ambiente foi motivado pela área técnica do Ministério da Economia. A informação é do jornal “O Globo”.
Preocupação
Ambientalistas e entidades haviam demonstrado preocupação após o Ministério do Meio Ambiente encaminhar um ofício com proposta de substituir a meta de redução das queimadas e desmatamento ilegal.
Segundo o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, a proposta, na verdade, é uma tentativa do Ministério do Meio Ambiente de abandonar a meta de preservação.
Ministério do Meio Ambiente quer reduzir meta oficial de preservação da Amazônia
“O objetivo de proteger áreas, seja ele qual e como for – coisa que o ministro [Ricardo Salles] não explica no ofício como será feito – não é equivalente e não pode substituir o objetivo de diminuir desmatamento e queimada ilegal. São coisas diferentes. O que o ministro fez foi tentar abandonar a meta de redução de 90% do desmatamento”, explica o secretário-executivo do Observatório do Clima.
Quanto ao tamanho da área proposta a ser protegida no ofício, de 390 mil hectares, ou 3,9 mil km², Tasso Azevedo, coordenador da ONG Mapbiomas, comenta que a extensão é insuficiente diante do tamanho de áreas que necessitam de proteção.
“390 mil hectares de área protegida não é nada, é uma fraçãozinha muito pequena. A Amazônia tem mil vezes essa área, isso é 0,1% da floresta”, comenta o ambientalista Tasso Azevedo, coordenador da ONG Mapbiomas.
Além de ser uma parcela minúscula da Amazônia, a área de proteção sugerida representa apenas cerca de um terço da área que foi desmatada entre agosto de 2018 e julho de 2019, quando o desmatamento na Amazônia foi de 10,1 mil km².
Em termos comparativos, a sugestão da pasta significa que, enquanto um território mais de seis vezes maior que a cidade de São Paulo foi devastado na Amazônia em apenas um ano, o governo quer se comprometer a proteger somente uma área 2,5 vezes maior que a capital paulista nos próximos três anos.
Desmatamento na Amazônia cresce quase 30% entre agosto de 2018 e julho de 2019, diz Inpe
A pedido do G1, ainda em termos de comparação de territórios, Astrini fez uma projeção da área que poderá ser protegida em termos de desmatamento até 2023 se for mantida a meta atual.
“Se considerarmos o número do último desmatamento, que foi 10 mil km², e projetá-lo para quatro anos, teremos 40 mil km² (de desmatamento). Portanto, a gente teria cerca de 36 mil km² de área preservada segundo a metal em vigor (de reduzir o desmatamento em 90%)”, calcula Astrini.
Desmatamento na Amazônia bateu novo recorde nos alertas de desmatamento em junho de 2020
Reuters
Proteger x reduzir
Astrini ressalta, contudo, que o cálculo não corresponde à realidade proposta pelo ministério, reforçando que proteger áreas não é o mesmo que reduzir desmatamento e queimadas.
“Uma coisa é você diminuir o desmatamento que aconteceria nessas áreas, outra coisa é proteger essas áreas. Aliás, grande parte de áreas protegidas que já temos há décadas na Amazônia também são desmatadas”, diz o secretário-executivo.
Mais que uma substituição de metas, Azevedo afirma que a proposta da nova meta é um “desvio de atenção do governo”, uma estratégia para acabar com a meta de redução do desmatamento e queimadas.
“É só um desvio de atenção: querem eliminar uma meta e criar outra que não tem nada a ver com a anterior”, diz Azevedo.
“A meta de evitar o desmatamento é independente do que você conserva. A meta de evitar o desmatamento é: deixar de perder cobertura vegetal. Governo simplesmente está abandonando essa meta”, completa o ambientalista.
A informação de que o Ministério do Meio Ambiente propôs, em ofício enviado para o Ministério da Economia em julho, a redução da meta oficial de preservação da Amazônia foi publicada nesta terça-feira (4) pelo jornal “O Estado de S. Paulo” . O G1 teve acesso ao ofício em questão.
O G1 pediu que o Ministério do Meio Ambiente explicasse os indicadores considerados para calcular a área proposta específica de 390 mil hectares, mas não obteve retorno da pasta.
Ricardo Salles: objetivo final é acabar com desmatamento até 2030
‘Nivelar por baixo’
A meta atual de preservação dos biomas e redução de 90% do desmatamento ilegal até 2023 faz parte do Plano Plurianual (PPA) aprovado pelo Congresso em 2019. Em nota divulgada à imprensa, o Ministério do Meio Ambiente disse que a alteração do PPA é um ajuste para o período, mas não muda o objetivo final da meta, que é de o Brasil acabar 100% com o desmatamento ilegal até 2030.
“O Brasil já tem meta de redução de 100% do desmatamento ilegal até 2030, a qual está mantida. As metas intermediárias devem indicar os programas que serão utilizados ao longo dos próximos 10 anos para alcançar a meta total e é isso que está sendo ajustado no PPA”, afirmou o ministério na nota.
Apesar da meta ter até 2030 para ser concluída, Azevedo lembra que a ela está vigente já há dez anos, e este ano sofrerá um retrocesso.
“Reduzir o desmatamento é uma meta que o Brasil tem já há 10 anos e que tinha que cair em 80% este ano, ou seja, um desmatamento menor que 3.900 km², mas que vai ser o triplo disso em 2020”, diz o ambientalista.
Amazônia bate novo recorde nos alertas de desmatamento em junho; sinais de devastação atingem mais de 3 mil km² no semestre, aumento de 25%
Em nota, o Greenpeace avaliou que a proposta de reduzir a meta de combate ao desmatamento ilegal é ‘nivelar por baixo’ a questão ambiental no Brasil.
“Nivelar por baixo a meta de redução de desmatamento prejudica as florestas e o clima global e, fatalmente, gera ainda mais constrangimentos internacionais num momento que investidores, empresas e outros países querem manter distância do Brasil, o que traz mais prejuízos para a população e a economia brasileira”, afirmou o Greenpeace.
Ministro do Meio Ambiente quer mudar meta de redução de desmatamento na Amazônia
Justificativas
Antes do recuo, o ofício do Meio Ambiente foi assinado pelo secretário-executivo da pasta, Luís Biagioni, abaixo só do ministro Ricardo Salles na hierarquia do ministério. Uma nota técnica anexada ao documento justificou que o ministério não conseguiria atingir a meta do PPA, porque ainda é preciso implantar ações em parceria com órgão de governos estaduais e do governo federal.
“Considerando todo o contexto que abarcou também a elaboração do Planejamento Estratégico do MMA verificou-se que a meta disposta no PPA 2020/2023 não poderia ser alcançada, no período proposto, dada a necessidade de implementação de todos os eixos do novo Plano, em especial, em razão da demanda da participação de tantos outros envolvidos no âmbito federal e estadual”, alegou o ministério na nota.
Sobre o fato de excluir os outros biomas da nova meta proposta, a pasta afirmou que não há dados suficientes para monitorar o desmatamento nessas áreas.
“Cabe ressaltar que até o presente momento não existem indicadores disponíveis para mensurar o atingimento da meta mencionada acima, isto é, os dados anuais e oficiais de monitoramento do desmatamento existem somente para os biomas Amazônia e Cerrado. Não obstante, a qualificação do desmatamento entre ilegal e legal, todavia não encontra-se disponível”, completou o ministério.
Quanto à qualificação de ilegal ou legal, Astrini explica que o dado tem pouca relevância para a questão, já que “a grande maioria do desmatamento na Amazônia é ilegal”, diz.
De acordo com a reportagem do “Estado de S. Paulo”, o Ministério da Economia rejeitou a proposta do Meio Ambiente de redução da meta prevista no PPA.
Retirada de comissão
Na segunda-feira, o Ministério do Meio Ambiente oficializou a retirada de representante da sociedade civil da Comissão Executiva para Controle do Desmatamento Ilegal e Recuperação da Vegetação Nativa (Conaveg). A medida foi publicada no “Diário Oficial da União”. O jornal “Folha de S.Paulo” noticiou a portaria, assinada por Salles, na segunda-feira (3).
O ministro estabeleceu que os membros da comissão serão apenas representantes do governo que, de acordo com o texto, poderão convidar a sociedade civil para reuniões específicas. Integrantes de fora do grupo não terão direito a voto.
“Poderão convidar, para reuniões específicas e sem direito a voto, especialistas, representantes de órgãos e entidades públicas, do setor privado e da sociedade civil”, diz o texto da portaria.

Please enter banners and links.