Discos para descobrir em casa – ‘Coração’, Alaíde Costa, 1976


Capa do álbum ‘Coração’, de Alaíde Costa
Cafi
♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – Coração, Alaíde Costa, 1976
♪ Em 1976, Alaíde Costa já contabilizava 20 anos de carreira fonográfica – iniciada com disco de 78 rotações por minuto editado pelo selo Mocambo em 1956 – quando lançou o oitavo álbum, Coração, com produção musical de Milton Nascimento e arranjos de João Donato.
O envolvimento de Milton na produção do disco soou natural porque tinha sido no álbum Clube da Esquina (1972) que, quatro anos antes, a cantora carioca foi de certa forma redescoberta após amargar anos de ostracismo em trajetória ofuscada na segunda metade dos anos 1960 pela explosão quase simultânea dos festivais, da Jovem Guarda, da Pilantragem e da Tropicália – movimentos musicais que tiraram dos holofotes à Bossa Nova à qual a voz suave de Alaíde se associara em álbuns como Joia moderna (1961) e Afinal… Alaíde Costa (1963).
Ao redimensionar Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Airton Amorim, 1951), fazendo do samba um lamento na antológica gravação dividida com Milton no álbum Clube da Esquina, Alaíde iniciou fase de renascimento artístico consolidada ao longo do anos 1970 com álbuns como Coração.
Nascida em 8 de dezembro de 1935, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a carioca Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide sempre mostrou bossa singular no canto triste mencionado, no álbum Coração, na letra quase metalinguística de Sonho e fantasia (João Donato e Lysias Ênio, 1976), uma das músicas inéditas desse disco que flagrou a intérprete no auge vocal.
Envolvida em refinado arranjo orquestral, marca sonora do álbum Coração, a música Sonho e fantasia desde então permaneceu esquecida nesse disco referencial na obra fonográfica de Alaíde Costa.
O embrião de Coração começou a ganhar vida nos bastidores de apresentação do show Milagre dos peixes (1974), de Milton Nascimento, à qual Alaíde estava presente. Em conversas de camarim, surgiu a ideia da cantora gravar álbum sob direção artística de Milton no embalo da repercussão da releitura conjunta do samba Me deixa em paz.
Dito e feito. Ao ser posto no mercado fonográfico em 1976 pela gravadora EMI-Odeon, com capa que expôs a artista em foto de Cafi (1950 – 2019), Coração bombou nos nichos mais antenados da MPB pelo esplendor do canto de Alaíde, pela coesão do repertório majoritariamente inédito e pela luxuosa ficha técnica que, além de Milton Nascimento e do arranjador João Donato (piano e órgão), agregou músicos virtuosos como Nelson Angelo (violão e guitarra), Novelli (baixo), Robertinho Silva (bateria) e Toninho Horta (guitarra).
Sem falar em intervenções eventuais como a de Beto Guedes (uma das vozes do coro da música-título Coração) e a de Ivan Lins, arregimentado para tocar piano na gravação de Corpos (1975), densa parceria de Ivan com Vitor Martins que o cantor e compositor apresentara no ano anterior no álbum Chama acesa (1975). A introdução de Corpos deu amostra do requinte instrumental do disco Coração.
Aberto com majestosa abordagem de Pai grande, em gravação do tamanho da obra de Milton Nascimento, o álbum Coração apresentou repertório dominado por compositores mineiros, a maioria associada ao Clube da Esquina.
De Milton, Alaíde também impulsionou Catavento (1967), tema sem letra que a cantora levou magistralmente nos vocalizes, na cadência do samba, em gravação com mais frescor do que o registro feito por Milton há nove anos no primeiro álbum do cantor.
E por falar em samba, Alaíde deu voz em Coração a O samba que eu lhe fiz (1974), composição da mineira Sueli Costa lançada há dois anos na voz da cantora Marisa Gata Mansa (1938 – 2003). Já o abolerado samba-canção que deu nome ao disco, Coração, era inédita parceria de Nelson Angelo com o poeta fluminense Ronaldo Bastos, letrista de standards do cancioneiro do Clube da Esquina.
Estranho no ninho mineiro, mas nome familiar na trajetória de Alaíde Costa, o carioca Johnny Alf (1929 – 2010), compositor de bossas visionárias, se fez presente em Coração como autor da então inédita canção Quem sou eu? – espécie de prelúdio que serviu de veículo para a cantora exercitar o tom dolente também entranhado na voz dessa intérprete que sabe soar leve e até íntima, mas que, quando lhe é exigido, também sabe entrar no drama pesado das canções, como Alaíde mostrou novamente no álbum Coração ao dar sentido preciso a cada verso escrito por Paulo César Pinheiro para a letra de Tomara, música de Novelli.
A sofisticação do canto da artista saltou aos ouvidos na interpretação de Viver de amor (1976), música de Toninho Horta e Ronaldo Bastos também gravada por Milton Nascimento naquele ano no álbum Geraes (1976).
Fina estilista da canção popular brasileira, Alaíde apresentou em Coração o samba Pé sem cabeça. Música composta por Danilo Caymmi com letra de Ana Terra, Pé sem cabeça foi regravada pelo autor no álbum Cheiro verde (1977) e, dois anos depois, reapareceu no repertório do álbum Essa mulher (1979), da cantora Elis Regina (1945 – 1982).
Compositora eventual, Alaíde também apresentou em Coração música de lavra própria, Tempo calado, parceria com Paulo Alberto Ventura empanada no álbum pelo brilho de outras composições com maior poder de sedução.
Encerrado com O que se sabe de cor (Wanting more), música que Nana Caymmi regravou no ano seguinte no disco Nana (1977), o álbum Coração foi relançado em CD em 2009, em já esgotada edição idealizada pelo produtor Thiago Marques Luiz.
Fora de catálogo em formato físico, mas disponível nas plataformas digitais, Coração ainda bate com vigor 44 após o lançamento do álbum, tendo permanecido no tempo como um dos mais luminosos registros fonográficos do canto de Alaíde Costa.

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Sobe para 9 número de casos confirmados do novo coronavírus entre indígenas em RO


Informação foi confirmada pelo Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) de Rondônia; três estão internados no Cemetron, em Porto Velho. ‘Podem ser muito mais’, diz presidente do Cimi. Casos confirmados do novo coronavírus entre indígenas chegam a 9.
Reprodução/Rede Amazônica
Subiu para nove o número de casos confirmados do novo coronavírus entre indígenas em Rondônia. A informação foi divulgada neste fim de semana por Elivar Karitiana, vice-presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) de Rondônia. Na semana passada, foram confirmados os três primeiros diagnósticos entre indígenas no estado.
Os casos estão divididos em seis na aldeia central do povo e três na Caracol. Segundo Elivar, três estão internados no Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron), em Porto Velho.
“E também temos quatro pessoas da equipe multidisciplinar da saúde da Casai de Porto Velho. Isso vai comprometer os atendimentos dentro da aldeia e fora. A maioria estão tendo sintomas de Covid-19. Estou muito preocupado com isso”, disse.
Segundo o arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi, também presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a tendência é ter mais confirmações de Covid-19 entre indígenas. “Sim, podem ser muito mais. Eles são obrigados a vir para a cidade e há pessoas nas terras indígenas. Eles não têm a resistência que nós temos”, disse.
Na semana passada, foram confirmados os três primeiros diagnósticos da doença entre indígenas. Eles têm 37, 40 e 50 anos e são do povo Karitiana.
Os indígenas chegaram a voltar à aldeia Caracol, que fica a cerca de 90 quilômetros de Porto Velho sentido Guajará-Mirim, mas uma semana depois sentiram os primeiros sintomas da Covid-19 e precisaram retornar à capital.
Avanço da Covid-19 em Rondônia
Rondônia registrou neste domingo (24) mais seis mortes devido ao novo coronavírus. O total de casos confirmados chegou a 3.201, sendo 92 a mais que o balanço do último de sábado (23). Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e o Ministério da Saúde.
Os seis óbitos registrados neste domingo são: 4 em Porto Velho, sendo dois homens (54 e 65 anos) e duas mulheres (62 e 67 anos), um homem de 69 anos em Ji-Paraná e um homem de 58 anos de São Miguel do Guaporé.
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