Risco do candidato do Enem pegar Covid é maior no transporte público do que na sala de prova, dizem infectologistas



Aglomeração nos portões pode ser também fator de transmissão da doença. Recomendação é seguir, para quem é possível, uma ‘semiquarentena’ nos 14 dias seguintes. Movimentação de passageiros usando máscaras contra Covid-19 na Linha 1-Azul do metrô de São Paulo (SP), na quinta-feira (14).
WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O risco de um candidato do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 pegar Covid-19 é maior nos deslocamentos até o local da prova do que durante a avaliação. É o que dizem infectologistas entrevistados pelo G1.
“São jovens que deveriam estar evitando aglomerações e que vão ser forçados a sair de casa, a pegar transporte público e a talvez encontrar grandes grupos nos corredores e portões”, afirma Alexandre Naime Barbosa, chefe da infectologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
“Se for ver todo o processo, a realização da prova em si é o menor dos perigos. A mudança de rotina, sim, vai impactar o número de casos.”
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Segundo Barbosa, há uma maior possibilidade de controle dos protocolos sanitários nos locais de prova. Com distanciamento adequado entre as carteiras, uso constante de máscara, higienização com álcool 70% e ventilação natural (janelas abertas), os riscos de contaminação não são nulos, mas ficam reduzidos. Não há a mesma garantia nos momentos anteriores ou posteriores à prova.
“A gente sabe que não há distanciamento social nem limite de passageiros em ônibus, metrôs e trens ou nos barcos da região amazônica”, diz o infectologista. O Enem foi adiado no Amazonas, mas segue marcado para os dois próximos domingos nos outros estados da bacia amazônica.
“E, nos portões [das escolas onde farão a prova], os jovens vão encontrar os amigos ou conhecidos. Em provas de residência médica, recentemente, houve aglomerações absurdas nos corredores e escadas”, diz.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), para prevenir a concentração de estudantes na entrada, antecipou a abertura dos portões para as 11h30.
Ainda assim, Barbosa acredita que há risco de formação de grandes grupos ou de desrespeito ao distanciamento social.
Ethel Maciel, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), demonstra a mesma preocupação com a circulação intensa de estudantes nos dias de Enem. “A gente fica falando para todo mundo se manter nas suas bolhas sociais e, agora, vai estourar a bolha no Brasil todo ao mesmo tempo. É irresponsável”, afirma.
“Vai acelerar a segunda onda da pandemia, com o perigo de espalhar novas variantes do vírus.”
Contato com grupos de risco
Depois de pegarem transporte público, de se encontrarem com grandes grupos na porta do local de prova e de permanecerem por mais de 4 horas em uma sala, os candidatos do Enem provavelmente entrarão em contato com familiares ou colegas de trabalho do grupo de risco (idosos, obesos, pessoas com doenças respiratórias etc).
Enem em 90 segundos
É mais um risco coletivo de transmissão da doença. Para evitá-lo, Barbosa recomenda uma “semiquarentena”.
“Se o aluno mora com alguém de risco, é melhor manter distanciamento e usar máscara mesmo em casa, nos 14 dias seguintes. O ideal é ficar mais no quarto e não se expor”, diz.
É claro que nem todo mundo tem essa possibilidade. “É mais um contorno trágico da pandemia. Os pobres têm menos condição de fazer isolamento, de usar uma máscara de qualidade e de higienizar as mãos. Há casas sem água corrente ou sabonete. A recomendação de uma quarentena leve é para quando há possibilidade.”
Cronograma do Enem
Provas impressas: 17 e 24 de janeiro
Provas digitais: 31 de janeiro e 7 de fevereiro
Reaplicação da prova: 23 e 24 de fevereiro
Resultados: 29 de março
Veja vídeos com aulões de revisão para a prova:

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Veja as diferenças do protocolo contra a Covid adotado por Enem, Fuvest e Unicamp


Processos seletivos anunciaram medidas especiais por causa da pandemia. Enem 2020 foi adiado por causa da pandemia do coronavírus e vai acontecer em janeiro de 2021.
Antonio Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, marcado para começar neste domingo (17), vai colocar em deslocamento 5,78 milhões de candidatos inscritos em todo o país. Outros vestibulares podem dar uma pista do que esperar no Enem.
APLICATIVO G1 ENEM: Baixe o app com jogos de perguntas e respostas sobre o Enem
A prova para a Universidade de São Paulo (USP), a Fuvest, teve 130.766 inscritos, e foi feita em 10 de janeiro, um domingo, assim como o Enem será.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), teve 77.653 inscritos e fez as provas em dois dias, para distribuir os candidatos. Elas foram aplicadas em 6 e 7 de janeiro (quarta e quinta) para grupos de alunos inscritos divididos por áreas de conhecimento.
O G1 entrevistou:
Alexandre Lopes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia do Ministério da Educação (MEC) responsável pelo Enem;
José Alves de Freitas Neto, diretor executivo da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest); e
Matheus Torsani, médico assessor da Fuvest,
E perguntou quais cuidados foram tomados nas provas que já ocorreram e quais serão aplicados no Enem. Confira abaixo as medidas tomadas pela Fuvest, Unicamp e Enem para a realização das provas:
Saiba mais: Justiça nega mais uma vez o adiamento do Enem e mantém prova para este domingo
Máscaras obrigatórias
O uso foi obrigatório na Fuvest e na Unicamp;
Será obrigatório para o Enem 2020, tanto para candidatos quanto para aplicadores;
Na Fuvest, além das máscaras, os aplicadores receberam luvas e escudos faciais.
Álcool em gel
Na Fuvest e Unicamp, havia recipientes com álcool em gel dentro e fora das salas;
Candidatos à Fuvest encontraram um sachê com álcool em gel em todas as mesas para limpeza extra; Unicamp não adotou esta medida;
Enem não tem previsão de colocar sachê nas mesas dos candidatos, mas haverá recipientes com álcool em gel nos locais de prova.
Salas de prova
Unicamp, Fuvest e Enem afirmam que aumentaram a quantidade de salas para o vestibular desta edição, para poder acomodar os candidatos com distanciamento.
A Unicamp afirmou na edição anterior do vestibular teve 1.502 salas de prova para 76. 312 candidatos (média de 50 pessoas por sala). Nesta edição, foram 3.381 salas para 77.653 (média de 22 candidatos).
A Fuvest informou que ocupou 148 locais de prova; na edição anterior, foram 88.
O Enem 2020 terá 200 mil salas de aplicação e 14.855 locais de prova para 5.783.357 candidatos. Na média, serão 28 candidatos por sala. Na edição anterior, foram 147.565 salas e cerca de 10.170 locais de prova, para 5.095.308 inscritos confirmados . Na média, são 34 pessoas por sala.
Situação local da pandemia
No edital da prova da Unicamp, há a previsão de medidas alternativas, caso a situação local da pandemia impedisse a realização da prova: entre elas está a transferência dos candidatos inscritos naquele local para outro mais próximo possível. Para isso, o candidato manifestaria interesse na área do inscrito no site da Comvest. Se não concordasse, a taxa de inscrição seria devolvida. A prova da Unicamp foi aplicada em 5 estados.
A assessoria de imprensa da Fuvest confirmou que também havia esta previsão, com espaços alternativos em cidades próximas, mas não houve necessidade de usá-los. O protocolo de biossegurança da instituições foi aprovado pelo Comitê de Contingenciamento, que gerencia a pandemia em SP (a prova não teve aplicação em outros estados). “O protocolo foi desenhado para ser aplicado em qualquer fase”, explicou a instituição.” Um ponto a ser ponderado é que, há um risco em se mover uma quantidade grande de pessoas de uma área vermelha e levá-los para regiões em outras fases. Até por isso o comitê aprovou a realização na própria cidade”, afirmou.
O Enem não tem previsão de mudar o local de aplicação da prova caso alguma cidade tenha restrição de locomoção. A Justiça Federal determinou na última terça (12) que em locais onde a pandemia não permitir a realização da prova, para evitar aglomeração, o Inep teria que reaplicar a prova. A autarquia permitiu que o Amazonas, que enfrenta grave problema de saúde pública, faça a prova nos dias 23 e 24 de fevereiro.
Abertura dos portões
A Fuvest e a Unicamp anteciparam o horário de abertura dos portões para evitar aglomerações na entrada. O Enem também prevê antecipar, em 30 minutos.
A Fuvest foi de 12h30 para 12h. A Unicamp abriu 15 min antes no segundo dia de prova, para evitar a aglomeração observada no dia anterior.
O Enem também antecipou em 30 minutos. Agora, abrirá às 11h30 e fechará às 13h.
Distanciamento social
Enem, Fuvest e Unicamp orientam os candidatos a manterem o distanciamento nos locais de aplicação
Aferição de temperatura
Nenhuma das provas que já ocorreram adotou o uso do termômetro na entrada dos locais de prova. A justificativa é a de evitar aglomeração.
No Enem, não haverá medição de temperatura.
Distanciamento entre mesas
Fuvest e Unicamp adotaram a distância de 1,5 m entre as mesas em que os candidatos fizeram as provas
O Enem não tem essa previsão. Segundo Lopes, os organizadores trabalharam com a capacidade de cada sala. “A solução na ponta foi vista caso a caso. A distribuição, a capacidade, foi vista caso a caso. Por isso, não sei quantos alunos vão estar em sala. Tem salas com 40 alunos, outras com 30, outras com 50. Foi feito com base em vistorias”, afirmou.
Alimentação
A Unicamp permitiu que seus candidatos comessem alimentos leves na sala de prova, e assim tirassem a máscara para comer;
A Fuvest só permitiu que os candidatos comessem fora da sala de prova. Dentro, só era permitida a ingestão de líquidos. A medida leva em consideração o risco de se ficar sem máscara em um ambiente com muitas pessoas.
Enem vai permitir a alimentação dentro de sala de prova, momento em que será possível ficar sem máscara.
Ventilação
A Unicamp deixou portas e janelas abertas nos locais de prova para melhorar a ventilação e minimizar possíveis infecções pelo coronavírus. Só foi permitido usar ar-condicionado se o aparelho tivesse um filtro específico. O uso do ventilador era para ser adotado “com bom senso”.
A Fuvest também adotou portas e janelas abertas e estimulou a ventilação natural.
O Enem tem a determinação de “possibilitar o máximo de ventilação natural e aeração dos ambientes”.
Duração da prova
A Unicamp tornou a prova mais curta, para diminuir o tempo em que os candidatos ficariam dentro das salas. O número de questões foi de 90 para 72, e o tempo de 5h para 4h;
A Fuvest não diminuiu o número de questões, nem o tempo de prova;
O Enem também manteve a mesma quantidade de questões de anos anteriores.
Vídeos: Saiba tudo sobre o Enem 2020

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