Fotógrafa usa likes do Instagram para estipular preço de obra

Obra de arte chegou perto dos 110 mil like em um post no Instagram

Obra de arte chegou perto dos 110 mil like em um post no Instagram
Reprodução/Instagram @mariussperlich

A fotógrafa alemã Marius Sperlich decidiu estipular o preço de uma de suas obras de uma maneira irreverente. A artista postou uma foto no Instagam e cada like seria equivalente a um dólar no valor total do quadro.

Em um prazo de 24 horas, o post na rede social alcançou 109.814 curtidas. A atualização do número de interações foi atualizada em tempo real em um painel eletrônico colocado abaixo do quadro na galeria Art Basel, em Miami, nos EUA.

Para artista, a relação que as pessoas têm com as redes sociais está extrapolando o limite do digital.

“Esta obra é sobre os vários lados das mídias sociais. Os likes remodelaram a forma como interagimos como sociedade, percebemos e valorizamos qualquer forma de conteúdo, incluindo arte. Os gostos se tornaram uma moeda própria, uma moeda social para alguns que podem ser trocados por dinheiro” afirmou Marius no Instagram.

Além dos aspectos das redes sociais nas relações da sociedade e na economia, a fotógrafa ressaltou os efeitos da vida digital na saúde.

“Obter ‘curtidas’ aparentemente também causa a mesma reação cerebral que alguns medicamentos. Com o elemento visual desta obra de arte, destaquei o aspecto de drogas de receber a IVV (Validação Instantânea Virtual) na forma de curtidas nas mídias sociais. O Instagram que esconde os likes também gerou uma comoção online”, disse a fotógrafa.

 

*Estagiário do R7, sob supervisão de Pablo Marques

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Mudanças climáticas: por que os pântanos africanos podem estar aumentando os níveis de metano na atmosfera

Equipe de pesquisadores encontrou no Sudão do Sul uma explicação para a subida nos níveis de metano na atmosfera

Equipe de pesquisadores encontrou no Sudão do Sul uma explicação para a subida nos níveis de metano na atmosfera
Getty Images

Finalmente, os cientistas acreditam que podem explicar, ao menos em parte, o aumento recente dos níveis de metano na atmofera.

Um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, aponta um crescimento relevante nas emissões vindas de regiões pantanosas do Sudão do Sul.

De acordo com dados obtidos por satélite, a região recebeu uma grande quantidade de água vinda dos lagos da África Oriental, incluindo o Vitória, o segundo maior lago de água doce da Terra.

Esse fluxo teria aumentado a propulsão de metano (CH4) dos pântanos, contribuindo significamente para o aumento dos seus níveis na atmosfera.

Estima-se que essa mudança tenha contribuído com um terço do incremento observado entre os anos de 2010 e 2016, considerando toda a África Oriental.

“Não há muito monitoramento de solo nessa região que possa comprovar ou refutar nossos resultados, mas os dados que temos se encaixam perfeitamente”, disse o professor Paul Palmer à BBC News.

“Temos linhas de evidência independentes que mostram que os pântanos de Sudd [grande área pantanosa do país] se expandiram em tamanho e, inclusive, é possível ver em imagens aéreas que ficaram mais verdes.”

Um aumento progressivo desde 2007

Um aumento progressivo desde 2007
BBC NEWS BRASIL

O metano é um gás de efeito estufa potente e, assim como o dióxido de carbono, sua concentração na atmosfera está aumentando.

Não se trata, entretanto, de uma elevação constante. No ínicio nos anos 2000, a quantidade de gás chegou a se estabilizar por um tempo.

Mas logo a sua presença aumentou, por volta do ano de 2007, com um salto adicional observado em 2014.

Agora, os níveis de CH4 sobem rapidamente e seu volume corresponde a cerca de 1.860 partes por bilhão.

 Região de Sudd: os micróbios em solos saturados produzem metano

Região de Sudd: os micróbios em solos saturados produzem metano
Copernicus Data 2019/ESA/Sentinel-2

Ainda há um debate sobre sua origem. Alguns dizem que as emissões são geradas por atividades humanas como a agricultura, enquanto outros argumentam que são causadas pelo uso de combustíveis fósseis.

Há ainda um forte componente natural na equação e grande parte da pesquisa atual está centrada nas contribuições que vêm dos trópicos.

O grupo de Edimburgo tem utilizado o satélite japonês Ibuki para observar o comportamento dos gases de efeito estufa nas turfeiras e pântanos africanos, e identificaram um aumento significativo nas emissões de metano no Sudão do Sul, entre 2011 e 2014.

Cientistas asseguram que a subida nos níveis de metano na atmosfera se deve também às emissões geradas por atividades humanas, como a agricultura

Cientistas asseguram que a subida nos níveis de metano na atmosfera se deve também às emissões geradas por atividades humanas, como a agricultura
Getty Images
Os pântanos do Sudd podem ser os culpados

Supondo que a região chamada de Sudd poderia ser culpada (sabe-se que os micróbios do solo dos pantanais produzem muito metano), a equipe começou a investigar com ajuda de outro conjunto de dados de satélite, tentando encontrar um vínculo.

Depois de monitorar a temperatura da superfície terrestre do lugar, a ideia de que os solos da região haviam ficado mais úmidos ganhou força.

As medições de gravidade na África Oriental mostraram ainda um aumento no peso da água retida no solo. As mudanças nos níveis de lagos e rios também foram acompanhadas com altímetros de satélite.

“Os níveis dos lagos da África Oriental, que alimentam o Nilo e chegam até o Sudd, aumentaram consideravelmente durante o período que estamos estudando. Isso coincidiu com o aumento de metano que vimos e implicaria que o aumento ocorreu devido ao fluxo [de água] do rio para os pântanos”, explicou o pesquisador Mark Lunt.

O instrumento de observação Tropomi detectou uma área com metano sobre o Sudd (em destaque)

O instrumento de observação Tropomi detectou uma área com metano sobre o Sudd (em destaque)
Copernicus Data/ESA/Tropomi

O grupo de Edimburgo publicou seus resultados na quarta-feira, na revista Atmospheric Chemistry and Physics, e Lunt apresentará novos dados no encontro da União de Geofísica dos Estados Unidos.

Ele vem observando os dados sobre emissões de metano, coletados pelo satélite Sentinel-SP da União Europeia. Seu instrumento Tropomi pode identificar o CH4 com uma resolução melhor do que o Ibuki. Segundo esse mapeador europeu, está claro que as emissões de metano continuam a subir no Sudão do Sul.

Os níveis de atividade não se parecem em nada com os do início dos anos 2010, mas os pantanais de Sudd continuam sendo uma fonte importante.

“É uma área enorme, então não é surpreendente que esteja liberando muito metano. Para ter uma ideia, o Sudd tem 40 mil quilômetros quadrados: duas vezes o tamanho de Gales. E, sendo tão grande, espera-se que as emissões possam ser vistas do espaço”, disse Lunt à BBC News.

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