Coronavírus: Unicamp prevê aplicar provas do vestibular no primeiro bimestre de 2021


Diretor da Comvest diz que Unicamp espera marcação do Enem e provas devem ocorrer em janeiro e fevereiro. Impacto da pandemia também reflete em exame na modalidade indígena. Candidatos durante 2ª fase do vestibular 2020 da Unicamp
Antonio Scarpinetti
A Unicamp prevê aplicar no primeiro bimestre de 2021 as provas do próximo vestibular, segundo a comissão organizadora (Comvest). Além disso, diante dos reflexos da pandemia do novo coronavírus, a universidade estadual admite que o cronograma da modalidade indígena é incerto neste momento.
A Unicamp chegou a divulgar um calendário oficial para o processo seletivo, com a 1ª fase marcada para 22 de novembro. Entretanto, ao considerar que as datas previstas inicialmente para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram canceladas e serão remarcadas após uma enquete com participantes em junho, a instituição decidiu que aplicará o exame somente após aplicação das provas realizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)
“Marcaremos nossa prova depois […] Todo planejamento diante do novo contexto está sendo feito com as provas no início de 2021”, explica o diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto.
Segundo ele, a 1ª fase deve ser em janeiro, e a 2ª etapa em fevereiro. “Haverá, no mínimo, 20 dias entre as fases. E também dependemos dos calendários das outras universidades [estaduais paulistas]”, explica o diretor que, no dia 19 de maio, já havia sinalizado mudanças no calendário da Unicamp.
Conteúdos
Embora a universidade já tenha decidido reduzir a lista de obras literárias obrigatórias e divulgado que terá uma prova com ênfase nas competências e habilidades, novas mudanças serão discutidas nesta quinta-feira (4) pela Comvest, entre elas, a hipótese de diminuir a lista de conteúdos fundamentais.
“Debaterá diretrizes para a prova, a partir de simulações feitas pela coordenação […] Ficará mais explícita as demandas das áreas”, explica José Alves.
José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest
Miguel Von Zuben/G1
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Vestibular indígena
Sobre a terceira edição do vestibular indígena da Unicamp, o diretor da Comvest diz que a universidade não prevê aplicar as avaliações antes de fevereiro de 2021. No ano passado, a prova foi em dezembro.
“Será adiado também, a situação é mais preocupante do ponto de vista do impacto da Covid-19 nas comunidades indígenas. Temos conversado com os acadêmicos indígenas da Unicamp e lideranças no estado do Amazonas. A prioridade é lidar com a saúde e com os cuidados nesse contexto”, explica José Alves ao destacar que a modalidade exige uma logística grande e que nenhuma iniciativa será tomada enquanto não houver evidência de contenção da pandemia do novo coronavírus.
Lista para o Vestibular Unicamp 2021
Sonetos escolhidos, de Camões;
Sobrevivendo no Inferno, do grupo Racionais Mc’s;
O Espelho, de Machado de Assis;
O Marinheiro, de Fernando Pessoa;
A Falência, de Júlia Lopes de Almeida;
O Ateneu, de Raul Pompeia;
Sermões, de Antonio Vieira.
*Foram excluídas desta edição as seguintes obras literárias: A teus pés; O seminário dos ratos; História do cerco de Lisboa; Quarto de despejo; A cabra vadia.
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Calendário oficial do Vestibular 2021 da Unicamp
Inscrições e pagamento da taxa de inscrição: 31/7 a 8/9/2020. Pagamento até 10/9
Provas de Habilidades Específicas de Música: Etapa I (envio de vídeos) – 14 a 21/9/2020 e Etapa II – 18 e 19/10/2020
1ª fase: 22/11/2020
2ª fase: 10 e 11/1/2021
Provas de Habilidades Específicas: 14 a 16/1/2021
Divulgação da primeira chamada: a definir
Matrícula (não presencial) da primeira chamada: a definir
Outras modalidades
Vestibular Indígena
Inscrições: 20 de agosto a 21 de setembro de 2020
Enem-Unicamp
Inscrições: 15 de outubro a 16 de novembro de 2020
Vagas Olímpicas
Inscrições: 17 de novembro de 2020 a 8 de janeiro de 2021
Vagas Remanescentes (transferências)
24 de agosto a 11 de setembro de 2020
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus
Arte/G1
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Alcione reforça com álbum ‘Tijolo por tijolo’ a construção de obra alicerçada pelo gosto popular


Capa do álbum ‘Tijolo por tijolo’, de Alcione
Marcos Hermes
Resenha de álbum
Título: Tijolo por tijolo
Artista: Alcione
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * 1/2
♪ Em 2013, os seguidores mais antigos de Alcione se surpreenderam com a alta qualidade do álbum de músicas inéditas Eterna alegria, apresentado pela artista naquele ano com repertório apaixonante. O disco Eterna alegria se impôs como um dos títulos mais coesos da carreira fonográfica iniciada em 1972 por essa grande cantora maranhense que veio para a cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 1968.
Sete anos depois, o álbum Tijolo por tijolo – lançado em edição digital e em CD na sexta-feira, 29 de maio – frustra expectativas de quem esperava disco de músicas inéditas à altura de Eterna alegria. Há bons momentos entre as 14 faixas, mas, no todo, o disco soa irregular porque arranjos e repertório nem sempre estão à altura do vozeirão grave de Marrom.
Primeiro single do álbum, Fascínio (Toninho Geraes e Paulinho Rezende) já sinalizara em março a danosa aproximação da estética do samba rotulado como pagode romântico e caracterizado pelo uso abundante de teclados, proeminentes no arranjo de Wilson Prateado.
Essa estética empanou o brilho de Fascínio – samba em si até fluente, sobretudo no refrão – e reverberou em abril no segundo single, Alto conceito (Fred Camacho e Leandro Fab), samba também enquadrado na moldura do pagode romântico e em cuja letra Alcione reassume o papel da mulher submissa aos caprichos do geralmente desatento homem amado.
Alcione homenageia Pelé no samba ‘O homem de Três Corações’, de Altay Veloso e Paulo César Feital
Marcos Hermes / Divulgação
Bom samba que dá nome ao disco, Tijolo por tijolo (Serginho Meriti e Claudemir) também saiu antes em single e corroborou a opção estética do álbum, gravado com produção musical de Alexandre Menezes, diretor musical da Banda do Sol – grupo que há décadas acompanha Alcione em shows – e arquiteto da face sonora deste disco formatado em estúdio com arranjos de Jorge Cardoso, Jota Moraes, Wilson Prateado, Zé Américo Bastos e do próprio Alexandre Menezes.
Selecionado por Alcione, o repertório de Tijolo por tijolo oscila sem perder a pegada popular da cantora. Há sambas que fluem bem, caso de Meu universo (Zeppa e Jorge Vercillo), e há outros que batem na trave.
Prejudicado por coro dispensável, O homem de Três Corações celebra Pelé – no ano do 80ª aniversário do imortal jogador de futebol – com letra poética de Paulo César Feital, mas o samba, de título alusivo à cidade mineira onde o craque nasceu em outubro de 1940, rola sem ginga e fica aquém da produção autoral do compositor Altay Veloso, autor da melodia. O gol quase vem ao fim da faixa com a batucada que simula a euforia de partida de futebol.
Em barco que navega malandro não navega mané (Serginho Meriti e Claudemir) cai com mais destreza no suingue com sopros evocativos de salão de gafieira. Nesse salão, também há espaço para o balanço nobre de Realeza (Joluis e Alvinho Santos), samba valorizado pelo melhor arranjo do disco, criado por Alexandre Menezes com direito até a passagem de clima jazzy na orquestração sincopada.
Samba também embebido em alto astral, Lado a lado (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Rogê) propaga tom solar com certa poesia, mas sem justificar as assinaturas do (geralmente mais inspirado) trio de autores. Balada que cai na cadência do pagode romântico, com todos os teclados a que tem direito, Não dá mais é canção de Altay Veloso em que Alcione voltar a encarnar o papel da mulher infeliz, só que à beira da libertação do jugo conjugal.
Na sequência, O samba ainda é (Serginho Meriti, Ricardo Moraes e Claudemir) exalta o próprio samba sem traço de originalidade. Já Feito traça (Telma Tavares e Roque Ferreira) tece trivial trama romântica com certa dose de sensualidade.
Alcione brilha ao entrar na roda baiana com o samba ‘Santo Amaro é uma flor’
Marcos Hermes / Divulgação
Faixa brejeira que sobressai na construção frágil de Tijolo por tijolo, 41º álbum de Alcione, Santo Amaro é uma flor (Edil Pacheco e Walmir Lima, 2012) abre a roda e estende a rota do disco até a Bahia.
Samba de roda lançado em disco há sete anos pelo grupo mineiro Zé da Guiomar e revivido por Alcione com palmas e o toque de viola que evoca o tom interiorano do samba do Recôncavo baiano, Santo Amaro é uma flor louva a cidade de Santo Amaro de Purificação, terra da chula, de Caetano Veloso, de Maria Bethânia – cantora a quem Alcione é ligada por laços de amizade iniciada nos anos 1970 – e de Claudionor Viana Teles Veloso (1907 – 2012), a matriarca da cidade, conhecida como Dona Canô e como tal mencionada na letra desse samba radiante.
Teu calor (Júlio Alves, Ramires e Carlos Júnior) desloca novamente o álbum Tijolo por tijolo para o quintal romântico em que Alcione reina desde a segunda metade da década de 1970. A temática desse samba evoca hits da cantora nessa linha, como Menino sem juízo (Paulinho Rezende e Chico Roque, 1979) e Garoto maroto (Franco e Marcos Paiva, 1986).
No fim do álbum Tijolo por tijolo, a homenagem ao Maranhão – já tradicional nos discos da cantora – surpreende ao ser feita sem ritmo da região, mas em tom urbano e romântico. Zé Américo Bastos é o arranjador e parceiro do poeta Salgado Maranhão na criação de Lençóis, envolvente canção sobre um amor vivido nos Lençóis Maranhenses.
A derradeira faixa reitera que, entre altos e baixos conceitos, Alcione reforça com o álbum Tijolo por tijolo a sedimentação de trajetória norteada e alicerçada pelo gosto popular.

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