Ricardo Salles revoga ato que permitia cancelar infrações ambientais e regularizar invasões na Mata Atlântica


Despacho consolidava irregularidades cometidas no bioma até julho de 2008. MPF já havia entrado com ação na Justiça contra ato. Operação contra desmatamento na Mata Atlântica que identificou 688 hectares de floresta devastada ilegalmente no Paraná, em setembro de 2019
Reprodução/RPC
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, revogou um ato do ministério de abril deste ano que, na prática, poderia cancelar infrações ambientais, como desmatamento e queimadas, na Mata Atlântica e regularizava invasões no bioma até julho de 2008. A revogação foi publicada no “Diário Oficial da União” desta quinta-feira (4).
Em maio, o Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal já havia entrado com uma ação na Justiça para tentar anular o ato. Em São Paulo, o MPF havia solicitado que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) descumprisse o decreto do Ministério do Meio Ambiente.
À época dos pedidos do MPF, o procurador federal em São Paulo Daniel Azeredo considerou que o despacho do ministro poderia levar ao cancelamento indevido de multas por infração ambiental. Segundo ele, a determinação do ministério poderia levar à liberação do corte de mata em áreas onde houve flagrante de desmatamento.
Além disso, a decisão de Salles poderia levar o Ibama a deixar de tomar providências e de exercer poder de polícia na proteção do meio ambiente nas áreas afetadas pelo despacho. Quem destruiu áreas da mata não precisaria recuperar o que foi destruído.
Para o MPF, o despacho de abril do ministro feria a lei da Mata Atlântica, de 2006.
Ministério Público entrou com ação contra decisão do Ministério do Meio Ambiente

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Norah Jones lança álbum e fala da quarentena com dois filhos: ‘Eles me mantêm ocupados’


Ao G1, cantora comenta disco ‘Pick Me Up Off the Floor’ e lives no Instagram: ‘Nunca me dei muito bem com redes sociais. Mas agora é a forma de se conectar com as outras pessoas’. Norah Jones chegou a dizer que nunca mais lançaria um álbum, após “Begin Again”, do ano passado. Mas a cantora americana de 41 anos mudou de ideia: “Pick Me Up Off the Floor” sai no dia 12 de junho.
Desde 2002, quando lançou o primeiro single “Don’t Know Why”, ela tem juntado pop e jazz. O som continua o mesmo, mas ela teve, como todos, que se adaptar ao distanciamento social imposto pela pandemia da Covid-19.
O clipe de “Trying to keep it together” foi gravado na casa dela, de onde também vem fazendo transmissões ao vivo no Instagram.
Norah não é muito afeita às redes sociais e diz que nunca se deu bem com elas. “Finalmente, encontrei uma forma de isso fazer sentido pra mim”, explica ao G1.
A cantora tem passado a quarentena acompanhada da filha de 4 anos, do filho de 6 anos e de um casal de amigos, em Nova York, nos Estados Unidos. E ela é bem direta e sincera ao falar sobre a relação deles com a música:
“Às vezes, eu boto alguma música para tocar e meu filho olha pra mim e diz: ‘não coloca música, eu odeio música’. E ele fica olhando pra mim para ver qual vai ser minha reação.”
Veja a entrevista de Norah Jones ao G1.
G1 – Você já disse que não lançaria mais álbuns. Por que voltou atrás?
Norah Jones – Não é que eu decidi fazer um álbum. Eu decidi fazer singles, uma parcerias a cada mês, gravando músicas com outras pessoas para lançar o mais rápido possível, em vez de fazer um álbum completo. Nesse processo, gravei outras músicas que acabei não lançando. Esse conjunto de canções me animou e percebi que, juntas, formavam um álbum. Foi meio que um acidente.
Capa do álbum ‘Pick me yp off the floor’, de Norah Jones
Divulgação/Universal
G1 – Um desses artistas com quem você gravou foi o Jeff Tweedy [do Wilco]. Como é trabalhar com ele?
Norah Jones – Foi demais. Ele é alguém de quem eu sou fã já faz um bom tempo e também o conhecia um pouco. Foi tão legal estar com ele no estúdio. A gente se entendeu muito rapidamente. Trabalhar com ele é divertido, tudo acontece com tanta naturalidade…
G1 – Você gravou o clipe de ‘Trying to keep it together’ em casa. Como foi essa experiência para você?
Norah Jones – Ah, foi ok, sabe? Eu não me envolvi tanto assim com isso. Ainda mais com os meus filhos por aqui, então… Estamos em quarentena com um casal de amigos, há mais de dois meses. Aquela gravação do clipe eu fiz depois que as crianças já tinham ido dormir, então foi tranquilo. Na verdade, acaba sendo divertido ter algo para pensar, algo para tentar ser criativa, trabalhando nesse período de distanciamento. É bom ter algo para fazer.
G1 – As músicas foram criadas antes da pandemia, é claro, mas todo mundo vai ouvir durante ou logo depois dela. Você não controla suas músicas depois que elas saem de você, mas como você se sente com essa mudança de significado de algumas letras?
Norah Jonas – Eu gosto de não conseguir controlar as minhas músicas depois que eu as lanço. As pessoas se relacionam com elas, do jeito que elas quiserem. Eu, claro, adoro quando isso acontece. As músicas foram sendo feitas nos últimos anos e meus sentimentos foram se transformando nelas.
Minhas emoções que estão ali seguem sendo relevantes agora, porque elas são sobre ser humano e tentar achar essa conexão. Eu acho que isso resume o que estamos sentindo agora. Existe um envolvimento maior entre as pessoas. Faz sentido que esses temas fiquem indo e voltando.
G1 – Você acha que ‘a vida que como conhecemos acabou’ [‘This life as we know it is over’, nome de uma música nova], depois do coronavírus?
Norah Jones – Sim. E essa música com certeza soa muito atual agora. Eu espero que nossa vida mude para melhor algum dia. Não sei o quanto vai demorar para isso acontecer, mas essa letra realmente acabou capturando um sentimento bem atual.
Norah Jones
Divulgação/Universal
G1 – Eu vi você cantando no Instagram e você parecia estar em paz… Você sempre me passou essa impressão quando canta, quando dá entrevistas, de ser tranquila.
Norah Jones – É, eu gostaria de ser assim sempre, porque eu não sou sempre calma, não. Eu só tento ficar calma quando estou fazendo entrevistas [risos] ou gravando meus vídeos.
G1 – E como é um dia normal na sua vida durante a quarentena?
Norah Jones – É quase sobre cuidar das crianças e fazer com que elas sempre estejam felizes. Gasto a maioria do meu tempo fazendo com que elas se dediquem aos estudos em casa, o que é uma coisa muito difícil. Mas eu tenho que fazê-los ficar ocupados, atarefados, ativos… fazendo que tudo não tenha sempre a ver só com uma tela de computador, sabe?
Então, todos os adultos da minha casa estão meio que divididos em turnos para cuidar deles, colocá-los para dormir e tudo mais. A gente tenta se manter bem. Eles me mantêm ocupados, são uma distração muito bem-vinda.
G1 – O que você mais sente falta de fazer?
Norah Jones – Eu sinto muita falta de tocar música para outras pessoas. Sinto falta dessa interação de estar cantando ao lado de uma banda ou só um músico mesmo, fazendo essa troca… Com certeza, isso é o que eu sinto mais falta.
G1 – Você tem se apresentado no Instagram. Como tem sido isso?
Norah Jones – Eu acho que rede social é, sim, um jeito de se conectar com outras pessoas, né? Mas eu sei que eu nunca me dei muito bem com redes sociais, nunca fui boa nisso. Mas agora é a forma de se conectar com as outras pessoas e finalmente encontrei uma forma de isso fazer sentido pra mim. Claro que tem que ser sobre música.
Para mim, fazer lives tem sido uma forma de me conectar sem ter que fazer shows. Eu não gosto mesmo de escrever posts e dizer coisas do tipo ‘estou me sentindo assim sobre não sei lá o quê’. Eu não quero fazer isso. Mas só tocar e cantar, me expressar com as músicas, tudo isso faz eu me sentir… bem. Eu fico com a sensação de que é a única coisa que eu sei fazer, e que eu fico totalmente perdida sem isso. Eu gosto de cantar e se uma pessoa curtir, pra mim isso já é o suficiente.
G1 – Sendo brasileiro, tenho que perguntar: como foi trabalhar com Amarante?
Norah Jones – Uow, foi tão incrível. Eu sou uma grande admiradora dele e a gente ficou um tempo juntos gravando. A gente virou bons amigos. Fazer música com outras pessoas sempre tem a ver com essa interação, sabe? Tentar criar uma coisa, juntos, é tão bonito.
G1 – Tem como dizer que este será seu último álbum?
Norah Jones – Porque você faria isso, eu vou morrer, não sei… [risos]
G1 – Não, não é uma questão pessoal, é profissional. Você já disse que prefere lançar singles e não álbuns.
Norah Jones – Ah, entendi. Eu tentei tanto ficar sem lançar um álbum nos últimos dois anos e daí fiz um monte de singles. E eu amei que tudo aconteceu daquele jeito, e pensei que ia continuar desse jeito. Mas esse álbum apareceu do nada pra mim. Eu não me esforcei para fazer um álbum, fiz um e eu amei isso.
Então, o que eu posso dizer é que vou continuar fazendo música de qualquer forma que tiver que ser. Não cabe a mim mais dizer que vou parar, só sei que vou lançar música de alguma forma. Não faço ideia. Se eu tiver músicas que funcionam como um álbum, é importante lançá-lo. O álbum dá um clima diferente, adoro ouvir uma sequência de músicas.
G1 – E você ouve música com seus filhos? Qual a relação deles com a música?
Norah Jones – É muito divertido ouvir música com eles. Eu acho que tocar música em casa preenche a casa, estejam ele ouvindo ativamente ou não. Às vezes, eu boto alguma música para tocar e meu filho olha pra mim e diz: ‘não coloca música, eu odeio música’. E ele fica olhando pra mim para ver qual vai ser minha reação. Ele só está tentando chamar minha atenção, mas eu acho até que engraçado, porque eu sei que ele ama música, ele gosta de ficar inventando canções. Então, tudo bem.
Norah Jones anuncia shows no Brasil em dezembro
Divulgação

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