Jota Quest reforça onda de discos de lives com EP em que toca ‘lados B’ da banda


♪ Assim como as lives viraram tradição no calendário cultural do Brasil, desde que as casas de shows foram fechadas em março por causa da pandemia do covid-19, os discos derivados de lives já são tendência seguida por vários artistas brasileiros, inclusive para gerar renda.
Reforçando essa onda, mesmo tendo discografia já povoada por discos ao vivo que por vezes soaram redundantes, o grupo mineiro Jota Quest lança EP com o primeiro volume de áudios extraídos de lives.
Disponível desde sexta-feira, 3 de julho, o EP Live sessions vol. 1 perpetua os registros de quatro músicas captadas na live A voz do coração, feita em 6 de junho por Rogério Flausino (voz), Marco Túlio Lara (guitarra), Marcio Buzelin (teclados), PJ (baixo) e Paulinho Fonseca (bateria).
Capa do EP ‘Live sessions vol. 1’, do Jota Quest
Arte de Cris Noronha
Com capa que expõe arte de Cris Noronha, o EP Live sessions vol. 1 perpetua as versões ao vivo de músicas como A tarde (Marcio Buzelin, 1996), Oxigênio (2000) – parceria inusitada de Rogério Flausino com Zé Ramalho que deu título ao controvertido álbum lançado pelo grupo há 20 anos em gravação feita com a participação de Ramalho – e Tele-fome (2000), outra música do álbum Oxigênio, composta por Flausino em parceria com Paulinho Pedra Azul.
Completa o lote de composições do EP Live sessions vol. 1 a balada Palavras de um futuro bom (2005), lado B do álbum Até onde vai (2005).
Embora esteja na onda de discos derivados de lives, o Jota Quest tem álbum de músicas inéditas já pronto para ser lançado. Dois singles desse álbum produzido por Paul Ralphes – A voz do coração (Rogério Flausino, PJ e Rael) e Guerra e paz (Rogério Flausino, PJ, Marco Túlio Lara, Marcio Buzelin, Paulinho Fonseca, Dany Vellocet, Guga Machado, Renato Galozzi e Saulo Roston) – inclusive já foram lançados em 17 de abril e em 19 de junho, respectivamente.

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Elza Soares tem relançado o álbum mais raro da discografia da cantora


Editado em 1979, ‘Senhora da terra’ chega às plataformas de áudio para festejar os 90 anos da artista. ♪ Dos 34 álbuns lançados por Elza Soares entre 1960 e 2019, um nunca foi editado no formato de CD e, por isso mesmo, tinha se tornado título especialmente raro da discografia da cantora carioca, desconhecido até por seguidores da artista.
Trata-se de Senhora da terra, álbum de 1979 que marcou a estreia de Elza na CBS, gravadora com a qual a cantora assinou contrato após fazer quatro LPs pela pequena gravadora Tapecar, editados entre 1974 e 1978.
Para celebrar os 90 anos de Elza, festejados neste mês de julho de 2020, a gravadora Sony Music relança o álbum Senhora da terra em edição digital com a capa e com as 12 faixas originais que compuseram repertório então quase inteiramente inédito.
Aberto com o samba Põe pimenta (Beto Sem Braço e Jorginho Saberás), também apresentado em single editado em 1979 e também disponibilizado nas plataformas de áudio, o álbum Senhora da terra flagrou Elza Soares no auge da forma vocal, como mostram os bebops com que a cantora acelerou a batida de Coração vadio (Edil Pacheco e Paulinho Diniz).
Única parceria de Ivone Lara (1922 – 2018) com Mauro Duarte (1930 – 1989), o dolente O morro foi uma das joias raras de repertório em que Elza exaltou o samba em Alegria do povo (Ari do Cavaco e Luiz Luz).
Capa do álbum ‘Senhora da terra’, de Elza Soares
Divulgação
Samba-enredo com que a Unidos dos Passos, escola de samba de Juiz de Fora (MG), desfilara no carnaval de 1977, Exaltação ao Rio São Francisco (Waltinho, Zezé do Pandeiro e João Leonel) foi a única regravação de repertório em que Elza entrou na cadência do ijexá em Afoxé (Heraldo Farias e João Belém) – samba descritivo das origens da dança baiana – e apresentou Paródia do compositor (Wilson Moreira e Nei Lopes).
Com muitos sambas alusivos ao Carnaval, caso de Maria Pequena (Guaracy de Castro e Roberto Nepomuceno), perfil da porta-estandarte homônima da música, o álbum Senhora da terra incluiu Abertura, samba de autoria de Elza, compositora bissexta. O título aludia à abertura política “lenta, gradual e segura” que traria de volta ao Brasil, naquele ano de 1979, os exilados pelo regime militar instaurado em 1964 e endurecido em 1968.
No fim do disco, o samba Barraquinho reconectou Elza Soares com João Roberto Kelly, compositor de Barraquinho e de Boato (1961), um dos primeiros sucessos da trajetória vitoriosa da cantora. E cabe notar que, na gravação, a intérprete imita a cantora Isaura Garcia (1923 – 1993) com a bossa negra que sempre diferenciou Elza no universo das cantoras do Brasil.
Mesmo quando atravessou fases de menor visibilidade, como a vivida na CBS, Elza Soares sempre foi a tal e, até por isso, seria oportuno que, além da edição digital, a gravadora Sony Music lançasse o álbum Senhora da terra em CD para que a discografia da artista ficasse inteiramente disponível em formato físico para os colecionares dos álbuns dessa senhora cantora de incríveis 90 anos.

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