Carmen Costa, cantora que desafiou a moral dos anos 1950, é revivida no centenário de nascimento


Intérprete de melodramáticos sambas-canção e de sucessos carnavalescos, artista foi do profano ao sacro em discografia que inclui discos com temas religiosos. ♪ MEMÓRIA – “Ele é casado e eu sou a outra / Que o mundo difama / Que a vida, ingrata, maltrata / E, sem só, cobre de lama”. Versos como o do samba-canção Eu sou a outra (Ricardo Galeno, 1953) soaram como afronta aos ouvidos da machista e hipócrita sociedade brasileira da década de 1950.
Ao desafiar a moral da época com a gravação desse folhetinesco samba-canção, a cantora fluminense Carmen Costa deu voz a um dos maiores sucessos da carreira – iniciada nos anos 1930 com o incentivo do cantor Francisco Alves (1898 – 1952), para quem trabalhara como empregada doméstica ao se mudar para a cidade do Rio de Janeiro (RJ) – em feito notável.
O registro de Eu sou a outra foi um dos muitos feitos da longeva trajetória de Carmelita Madriaga (5 de julho de 1920 – 25 de abril de 2007), artista revivida neste ano de 2020 pelo centenário de nascimento, festejado neste domingo, 5 de julho, dia em que entra em rotação, em página criada no Facebook para celebrar os 100 anos de Carmen Costa, vídeo documental sobre a artista.
Uma das primeiras cantoras negras a fazer sucesso na era do rádio, Carmen Costa iniciou a carreira associada ao cantor e compositor paulista Henrique Felipe da Costa (1908 – 1984), o Henricão, com quem formou dupla em 1938.
Henricão foi o autor – em parceria com Rubens Campos (1912 – 1985) – dos dois primeiros sucessos da carreira solo da cantora, Está chegando a hora (composição inspirada na canção mexicana Cielito lindo) e Só vendo que beleza (samba-choro mais conhecido como Marambaia), ambos lançados no mesmo disco de 78 rotações editado em 1942.
Dois anos após esse início retumbante, Carmen voltou às paradas em 1944 ao dar voz à malícia sensual de Xamego, parceria do então desconhecido Luiz Gonzaga (1912 – 1989) com Miguel Lima, autor da letra da música inicialmente intitulada Vira e mexe.
Carmen Costa foi uma das primeiras cantoras negras a fazer sucesso no Brasil na era do rádio
Reprodução / Capa de disco
Interrompendo essa fase áurea da carreira, Carmen Costa se casou em 1945 com o norte-americano Hans van Koehler e foi viver nos Estados Unidos, voltando ao Brasil nos anos 1950, década em que se uniu na vida e na música com o baterista e compositor capixaba Mirabeau Pinheiro (1924 – 1991), autor de alguns sucessos dessa segunda fase da carreira de Carmen.
A marcha Cachaça (Mirabeau Pinheiro, Lúcio de Castro, Héber Lobato e Marinósio Filho, 1953) – sucesso eterno dos Carnavais – e o samba-canção Quase (Mirabeau Pinheiro e Milton de Oliveira, 1955) figuraram entre as mais expressivas contribuições de Mirabeau para o repertório da cantora.
Intérprete original da Marcha do Bola Preta (Segura a chupeta) (Nelson Barbosa e Vicente Paiva, 1961), Carmen Costa animou muitos Carnavais, mas foi do profano ao sacro na discografia.
Em fase de menor visibilidade, a cantora gravou temas religiosos nos álbuns Benditos, hinos e ladainhas (1983) e Com fé eu vou (1997). Este foi o derradeiro título de discografia que inclui álbum gravado ao vivo por Carmen com Agnaldo Timóteo e editado em 1981.
Tombada em 2003 como patrimônio cultural do Brasil pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a cantora deixou álbuns relevantes como o Carmen Costa de 1980, disco conceitual com canções sobre o universo da prostituição feminina. Outra proeza desta bela voz centenária que teve a coragem de se anunciar como “a outra” no áureo ano de 1953.

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Karol Conka retrata ‘Tempos insanos’ em single sombrio produzido por WC no Beat


♪ “Nem preciso dizer que eu tô no comando (é) / Nesse barco só fica quem estiver remando (vixi) / Carta na manga, já tenho os meus planos (hum) / Eu tô deslizando em tempos insanos” rima Karol Conka, no habitual tom empoderado, em versos de Tempos insanos.
A artista apresenta essa música inédita em single lançado na sexta-feira, 3 de julho, simultaneamente com clipe produzido na cidade de São Paulo (SP) com efeitos visuais e intervenções gráficas, sob direção de Arthur Carratu e Haruo Kaneko, e com a colaboração do grafiteiro e escultor Jey 77 na direção de arte.
Foi durante o isolamento social que Karol Conka compôs Tempos insanos, música que alude na letra a sentimentos da rapper curitibana durante a pandemia do covid-19. A batida sombria criada por WC no Beat valoriza a composição.
Nome artístico do produtor e DJ capixaba Weslley Costa, WC no Beat deu forma ao single Tempos insanos em parceria com dois emergentes produtores norte-americanos, Ryan O’Neil e Xavi.
Capa do single ‘Tempos insanos’, de Karol Conka
Divulgação
A música Tempos insanos é nova, mas a parceria de Karol Conka com o produtor de trapfunk já é recorrente. A artista integra o time de convidados do ainda inédito segundo álbum de WC no Beat, Griff, ao lado de nomes como Anitta e Ludmilla.
No clipe de Tempos insanos, Karol Conka expõe notícias verídicas desse momento tenso do mundo através de recentes manchetes de jornais, vistas no clipe em espécie de colagem, como se os jornais fossem os papéis de parede de um ambiente fechado no qual a imagem da artista aparece sob diversas formas e cores, por conta de efeitos visuais.
A ideia da artista com o single e o clipe de Tempos insanos foi “transmitir coragem e fé” nesse ano sombrio.

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